sexta-feira, 15 de outubro de 2010
A obra da generosidade Americana
Guerra matou 77 mil iraquianos em cinco anos
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
A ciência dos sintomas
O que podemos perceber por ciência ?
Apenas uma ¨brincadeira de crianças¨, que através da sua traquinagem, entretêm-se a retirar, e a juntar uma diversidade de elementos, num movimento de associação e dissociação, cuja finalidade é associar de novo, na tentativa de entender as consequências que daí possam derivar.
A prova científica exige a repetição dos atos, condicionada aos mesmos elementos constitutivos, para que possam ser comprovadas as mesmas consequências.
Diferente da observação dos efeitos colaterais, que não são visíveis em determinado processo, mas que se fazem sentir numa outra dimensão, digamos mais complexa e oculta, que nos quer dizer, ou pelo menos indica, que é diferente a tentativa de resolver um conflito pontual, do que tratar o conflito na sua complexidade.
Daqui podemos deduzir, que tratar o sintoma, não significa tratar o transtorno, dado que tende a perder-se a visibilidade de algo que impressiona o indivíduo, e os outros, mantendo-se oculto os verdadeiros motivos que o provocaram.
Será inevitável a volta do sintoma, ou o seu deslocamento para outra parte do corpo, que bem pode ser uma imagem interior incorporada, que pode funcionar como receptora de uma patologia, que tenha respaldo exterior, a partir da identificação, e da posse de um objeto, real ou virtual, funcionando como tubo de escape da própria patologia.
De onde podemos deduzir, que a ausência do objeto exterior pode em casos extremos levar á morte mental e física do sujeito, mas em geral contribui para a dissolvência do conflito interior, tomando sentido em si, que afinal pode viver de uma outra forma.
Se uns não conseguem superar o medo, e por isso morrem, a maioria é possuído pela capacidade de superação, descobrindo uma nova forma de estar com os outros, e consigo mesmo.
Apenas uma ¨brincadeira de crianças¨, que através da sua traquinagem, entretêm-se a retirar, e a juntar uma diversidade de elementos, num movimento de associação e dissociação, cuja finalidade é associar de novo, na tentativa de entender as consequências que daí possam derivar.
A prova científica exige a repetição dos atos, condicionada aos mesmos elementos constitutivos, para que possam ser comprovadas as mesmas consequências.
Diferente da observação dos efeitos colaterais, que não são visíveis em determinado processo, mas que se fazem sentir numa outra dimensão, digamos mais complexa e oculta, que nos quer dizer, ou pelo menos indica, que é diferente a tentativa de resolver um conflito pontual, do que tratar o conflito na sua complexidade.
Daqui podemos deduzir, que tratar o sintoma, não significa tratar o transtorno, dado que tende a perder-se a visibilidade de algo que impressiona o indivíduo, e os outros, mantendo-se oculto os verdadeiros motivos que o provocaram.
Será inevitável a volta do sintoma, ou o seu deslocamento para outra parte do corpo, que bem pode ser uma imagem interior incorporada, que pode funcionar como receptora de uma patologia, que tenha respaldo exterior, a partir da identificação, e da posse de um objeto, real ou virtual, funcionando como tubo de escape da própria patologia.
De onde podemos deduzir, que a ausência do objeto exterior pode em casos extremos levar á morte mental e física do sujeito, mas em geral contribui para a dissolvência do conflito interior, tomando sentido em si, que afinal pode viver de uma outra forma.
Se uns não conseguem superar o medo, e por isso morrem, a maioria é possuído pela capacidade de superação, descobrindo uma nova forma de estar com os outros, e consigo mesmo.
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Psicanalise
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Memória para além do tempo
Casimiro de Abreu
Ó que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
A memória não tem relação alguma com o tempo, mas com a imagem revelada em certo tempo, através de uma vivência, inserido numa realidade que nos ultrapassa, mas através da qual somos, de uma maneira ou de outra, afetados.
A imagem pode ser associada a um determinado período da nossa existência, mas ela perdura em nós para além dele, em que apenas é a evocação de cenas passadas.
A memória conserva uma imagem virtual, que um dia foi real, cuja realidade já não existe mais, em que esta sim é o tempo presente, que no segundo seguinte se ausenta.
O que virá de seguida nos é presente, que pode ser semelhante, mas nunca igual, embora nos garanta a sensação que se trata do mesmo.
Nunca será em busca de um tempo perdido que o ser humano se agita, mas das imagens que foram perdidas no tempo, que desejamos, mas teimam em não voltar.
Lembro-me de uma canção de António Mourão, que fez grande sucesso em Portugal, lá pelos anos sessenta, cujo refrão dizia assim :
Ó tempo volta para trás
Dá-me tudo o que eu perdi
Tem pena e dá-me a vida
Da vida que já vivi.
Desejo não concedido pela própria natureza das coisas.
Mas as imagens permanecem no tempo.
Ó que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
A memória não tem relação alguma com o tempo, mas com a imagem revelada em certo tempo, através de uma vivência, inserido numa realidade que nos ultrapassa, mas através da qual somos, de uma maneira ou de outra, afetados.
A imagem pode ser associada a um determinado período da nossa existência, mas ela perdura em nós para além dele, em que apenas é a evocação de cenas passadas.
A memória conserva uma imagem virtual, que um dia foi real, cuja realidade já não existe mais, em que esta sim é o tempo presente, que no segundo seguinte se ausenta.
O que virá de seguida nos é presente, que pode ser semelhante, mas nunca igual, embora nos garanta a sensação que se trata do mesmo.
Nunca será em busca de um tempo perdido que o ser humano se agita, mas das imagens que foram perdidas no tempo, que desejamos, mas teimam em não voltar.
Lembro-me de uma canção de António Mourão, que fez grande sucesso em Portugal, lá pelos anos sessenta, cujo refrão dizia assim :
Ó tempo volta para trás
Dá-me tudo o que eu perdi
Tem pena e dá-me a vida
Da vida que já vivi.
Desejo não concedido pela própria natureza das coisas.
Mas as imagens permanecem no tempo.
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Psicanálise
domingo, 10 de outubro de 2010
Mundo fragmentado
Nos é dado a saber ao longo dos séculos, os mais diversos pensamentos acerca do mundo, e das forças que constituem o universo, afirmando alguns que só existe uma única força universal.
Talvez essa força única deva existir para conferir veracidade à existência de um Deus único, que por isso mesmo, é onipotente, e tende a fazer-se presente em todas as atitudes humanas.
Deste modo a religião casou com a física, quando esta defendeu por muitos séculos a existência de forças contrárias, que eram colocadas contra esse sistema universal. que forçosamente teria que ser exaltada uma para que fosse possível levar de vencida a outra.
Notemos então, que dessa forma de pensar emerge a idéia da existência de uma força, considerada boa, e outra que ofendia os princípios daquela, a designando por má.
A física quântica nos vem dizer que existe a complexidade, que não propriamente o contraditório, e que todas as forças existem por natureza e são complementares, certamente derivadas de uma relação entre corpos, que produzem a repulsa, ou a associação de forças.
Provavelmente o ser humano ainda não conseguiu perceber o que a física quântica nos quer dizer, e o mundo continua por isso dividido entre a psicose e a neurose obsessiva, que também se enquadram nessa força única universal.
Parece existir uma força única universal, e qualidades que dela tendem a emergir, que fragmentaram o mundo, ou melhor, a forma como o entendemos.
Devemos perguntar, dada a nova postura da física moderna, de onde, e como surgem qualidades, a partir dessa força única universal ?
A partir da diversidade do pensamento, ou da tomada de sentido de uma relação entre corpos ?
Fica a pergunta.
Talvez essa força única deva existir para conferir veracidade à existência de um Deus único, que por isso mesmo, é onipotente, e tende a fazer-se presente em todas as atitudes humanas.
Deste modo a religião casou com a física, quando esta defendeu por muitos séculos a existência de forças contrárias, que eram colocadas contra esse sistema universal. que forçosamente teria que ser exaltada uma para que fosse possível levar de vencida a outra.
Notemos então, que dessa forma de pensar emerge a idéia da existência de uma força, considerada boa, e outra que ofendia os princípios daquela, a designando por má.
A física quântica nos vem dizer que existe a complexidade, que não propriamente o contraditório, e que todas as forças existem por natureza e são complementares, certamente derivadas de uma relação entre corpos, que produzem a repulsa, ou a associação de forças.
Provavelmente o ser humano ainda não conseguiu perceber o que a física quântica nos quer dizer, e o mundo continua por isso dividido entre a psicose e a neurose obsessiva, que também se enquadram nessa força única universal.
Parece existir uma força única universal, e qualidades que dela tendem a emergir, que fragmentaram o mundo, ou melhor, a forma como o entendemos.
Devemos perguntar, dada a nova postura da física moderna, de onde, e como surgem qualidades, a partir dessa força única universal ?
A partir da diversidade do pensamento, ou da tomada de sentido de uma relação entre corpos ?
Fica a pergunta.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Memória
A importância das imagens
A neurociência nos diz, que as imagens, que não sejam consideradas importantes para a mente, perduram menos como lembrança, e tendem a ser esquecidas mais rapidamente.
Nos é dado a conhecer a existência de um grau de importância ás imagens, que é conferida pelo o indivíduo, e que depende desse grau o tempo que elas podem ser lembradas pelo o ser humano.
Até aqui nada de novo, sendo compreensível para o comum dos mortais, que percebe em si mesmo, a existência de imagens, que não desgrudam da sua mente, e outras, de que já nem sequer lembra.
Quando alguém nos chama a atenção para determinadas imagens de um encontro casual, por vezes fazemos um esforço para lembrar, sendo na maioria das vezes auxiliado por aquele, que delas se lembra perfeitamente.
( Re ) organizamos o cenário já vivido, e a imagem como por enquanto nos vem á memória.
Se assim é, não será difícil admitir, que as imagens não se perdem definitivamente, muito embora só haja traços delas.
Ao serem ( re ) vivadas, o indivíduo é capaz de montar um cenário semelhante de um passado longínquo, mas não em toda a sua dimensão, contudo preservando o essencial, a que é conferido um sentido.
A questão, porém, torna-se mais complexa, quando desejamos questionar, como, por intermédio de quê, ou de quem, ou através de que mecanismos, sistemas, o corpo apresenta a capacidade de conferir um determinado grau de importância ás imagens ?
O que é fato, dada a explicação científica, é que sem um determinado grau de importância, a imagem tende a passar pela memória, a perder-se, sem se fixar, dispersando-se pela imensidão do universo, pelo que é sempre necessário um grau mínimo de importância, para que tal não aconteça.
Daí a afirmação de António Damásio, neurocientista, que sem emoção não existe imagem.
A neurociência nos diz, que as imagens, que não sejam consideradas importantes para a mente, perduram menos como lembrança, e tendem a ser esquecidas mais rapidamente.
Nos é dado a conhecer a existência de um grau de importância ás imagens, que é conferida pelo o indivíduo, e que depende desse grau o tempo que elas podem ser lembradas pelo o ser humano.
Até aqui nada de novo, sendo compreensível para o comum dos mortais, que percebe em si mesmo, a existência de imagens, que não desgrudam da sua mente, e outras, de que já nem sequer lembra.
Quando alguém nos chama a atenção para determinadas imagens de um encontro casual, por vezes fazemos um esforço para lembrar, sendo na maioria das vezes auxiliado por aquele, que delas se lembra perfeitamente.
( Re ) organizamos o cenário já vivido, e a imagem como por enquanto nos vem á memória.
Se assim é, não será difícil admitir, que as imagens não se perdem definitivamente, muito embora só haja traços delas.
Ao serem ( re ) vivadas, o indivíduo é capaz de montar um cenário semelhante de um passado longínquo, mas não em toda a sua dimensão, contudo preservando o essencial, a que é conferido um sentido.
A questão, porém, torna-se mais complexa, quando desejamos questionar, como, por intermédio de quê, ou de quem, ou através de que mecanismos, sistemas, o corpo apresenta a capacidade de conferir um determinado grau de importância ás imagens ?
O que é fato, dada a explicação científica, é que sem um determinado grau de importância, a imagem tende a passar pela memória, a perder-se, sem se fixar, dispersando-se pela imensidão do universo, pelo que é sempre necessário um grau mínimo de importância, para que tal não aconteça.
Daí a afirmação de António Damásio, neurocientista, que sem emoção não existe imagem.
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Psicanalise
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Bullying II
Eu sei que as pessoas consultam os mais diversos blogs, que tratam deste tema, esperando enxergar uma solução para o problema, sejam professores, instituições, alunos e respectivas famílias, esperando um milagre para as suas aflições.
Desde há muito fiquei desiludido, porque no que é dado ao homem, não existem milagres, apenas estudo e trabalho, que possam impedir a repetição das mesmas cenas não desejadas.
Então não existe solução ?
Ela existe, mas não pode ser obtida através de uma via imediatista.
Se acrescentarmos o fato que a atitude punitiva, tenta julgar os agressores, mas que não repara os estragos feitos na vítima, nem impede atitudes semelhantes no futuro, somos levados a considerar, que devem ser implementadas ao mesmo tempo atividades preventivas,e ações de formação.
Como sabemos, tais atividades passam em primeiro lugar pela sinalização dos indivíduos e grupos de maior risco.
Tais pólos de possível agressividade excessiva, por vezes não são facilmente percebidos, dado encontrarem-se encobertos por determinados fatores, que só são despertados no indivíduo quando em grupo.
O que não significa, que não possam ser detectados, mas carece de alguma formação para o efeito.
Quando referi no artigo anterior a falta de uma visão global, ela não serve apenas para os pais e alunos, mas também para os professores e instituições, dado que a tendência é para preservar os mais fracos, face á agressão daqueles que se consideram mais fortes.
Embora reconhecendo que isso deve ser feito, o papel do analista e investigador, deve pautar-se pela revelação das causas, que o conduzam ao estudo, e a uma proposta válida, cuja finalidade é solucionar, ou pelo menos minimizar o conflito.
A sociedade impõe-se pelo o seu poder punitivo face a qualquer tipo de agressão, o que falta de fato é perceber quais as atitudes formativas que devem ser implementadas para estancar a violência nas escolas, que, é bom que se diga, não é coisa que um sujeito não enxergue nas famílias e no cotidiano, que é do domínio público.
A repressão não mostra ser suficiente para estancar a violência, e a prova a temos nos assassinatos, na violência doméstica, e nos índices de corrupção que abunda na sociedade, de que todos damos conta pelas notícias dos mais diversos órgãos de comunicação.
Poucas dúvidas tenho, que só a formação pode garantir a médio prazo resultados satisfatórios, que não passa por empurrar a responsabilidade só para uma das partes envolvida no conflito, mas antes, tentar implementar um projeto, que possa envolver todos os intervenientes no processo.
Se uns tentam revelar um poder, elevando a sua auto estima, ou melhor, dando continuidade a uma satisfação interior, a vítima revela um indivíduo fraco, que não apresenta condição alguma de sobreviver a uma pressão exterior.
A tendência é socorrer os fracos, os feridos e ofendidos, esquecendo porém que também necessitam de serem analisados, para que possam superar as pressões a que estão sujeitos.
Em termos de formação infantil nos é dado a observar, que uns foram preparados para a guerra, e outros, fizeram deles os ¨ bobos da corte ¨.
No meio de tudo isto, na ânsia de encontrar responsáveis, onde de fato não existem, as instituições e os professores são punidos verbal, física, ou administrativamente, porque o poder parece estar num dos lados, que tende a esmagar o outro.
Estamos colocados numa luta de poderes, e não perante a tentativa séria de solucionar o conflito.
Na tentativa de explicar o fenómeno, alguns analistas referem um poder narcisista exacerbado como causa do bullying, mas contudo não parece que seja regra, em que outro elemento podemos observar, o sadismo, que impulsiona o indivíduo a provocar dor e sofrimento no outro.
Podemos notar também um poder de negação exaltado, que tende a afirmar o indivíduo, e a denegrir a imagem do outro.
São fatores que corrompem o conceito de humanização, sendo uma lança espetada no coração alheio, que o faz sentir-se inferior, pequeno, desprotegido, e incapaz de superar as dificuldades que se deparam pelo o caminho.
Em termos práticos, se uns demonstram ter força bastante, que lhes sobra até, para levar por diante suas intenções, outros não parecem ser possuídos por ela , necessitando da ajuda dos outros.
Assim criamos uma sociedade de dependentes, que fala em humanização, mas que na verdade o que os comanda, para o bem, e para o mal, é a psicologia social estética, que não apresenta condição alguma de ser enquadrado num processo de humanização.
Não significa porém, que a estética não possa fazer parte da vida do ser humano, bem pelo o contrário, mas apenas que deve ter limites, sem idealismos, para que possa dar continuidade a um processo de humanização, rumo á socialização.
Julgo tratar-se da ignorância relativamente ás atitudes cometidas durante a formação infantil, que dão o efeito contrário do desejado.
Sou assaltado pela dúvida, se os suicídios, sendo casos extremos, não correspondam de fato a um desamparo total, cuja primeva origem está na formação infantil, como negação da própria criança, que criou obstáculos na relação pais / filhos, em que o excesso de proteção, escassez, ou a negação de si mesmo, a faz sentir-se desprotegida.
Nenhum de nós pode falar do que não sabe, dado que nos falta o histórico familiar.
O fato é que foi dado, sabe-se lá por quem, e devido a quê, ao professor e ás instituições de ensino a tarefa de tentar endireitar as paredes tortas de uma formação infantil, que parece ninguém desejar, mas que faz-se presente no cotidiano.
Continua ..
Desde há muito fiquei desiludido, porque no que é dado ao homem, não existem milagres, apenas estudo e trabalho, que possam impedir a repetição das mesmas cenas não desejadas.
Então não existe solução ?
Ela existe, mas não pode ser obtida através de uma via imediatista.
Se acrescentarmos o fato que a atitude punitiva, tenta julgar os agressores, mas que não repara os estragos feitos na vítima, nem impede atitudes semelhantes no futuro, somos levados a considerar, que devem ser implementadas ao mesmo tempo atividades preventivas,e ações de formação.
Como sabemos, tais atividades passam em primeiro lugar pela sinalização dos indivíduos e grupos de maior risco.
Tais pólos de possível agressividade excessiva, por vezes não são facilmente percebidos, dado encontrarem-se encobertos por determinados fatores, que só são despertados no indivíduo quando em grupo.
O que não significa, que não possam ser detectados, mas carece de alguma formação para o efeito.
Quando referi no artigo anterior a falta de uma visão global, ela não serve apenas para os pais e alunos, mas também para os professores e instituições, dado que a tendência é para preservar os mais fracos, face á agressão daqueles que se consideram mais fortes.
Embora reconhecendo que isso deve ser feito, o papel do analista e investigador, deve pautar-se pela revelação das causas, que o conduzam ao estudo, e a uma proposta válida, cuja finalidade é solucionar, ou pelo menos minimizar o conflito.
A sociedade impõe-se pelo o seu poder punitivo face a qualquer tipo de agressão, o que falta de fato é perceber quais as atitudes formativas que devem ser implementadas para estancar a violência nas escolas, que, é bom que se diga, não é coisa que um sujeito não enxergue nas famílias e no cotidiano, que é do domínio público.
A repressão não mostra ser suficiente para estancar a violência, e a prova a temos nos assassinatos, na violência doméstica, e nos índices de corrupção que abunda na sociedade, de que todos damos conta pelas notícias dos mais diversos órgãos de comunicação.
Poucas dúvidas tenho, que só a formação pode garantir a médio prazo resultados satisfatórios, que não passa por empurrar a responsabilidade só para uma das partes envolvida no conflito, mas antes, tentar implementar um projeto, que possa envolver todos os intervenientes no processo.
Se uns tentam revelar um poder, elevando a sua auto estima, ou melhor, dando continuidade a uma satisfação interior, a vítima revela um indivíduo fraco, que não apresenta condição alguma de sobreviver a uma pressão exterior.
A tendência é socorrer os fracos, os feridos e ofendidos, esquecendo porém que também necessitam de serem analisados, para que possam superar as pressões a que estão sujeitos.
Em termos de formação infantil nos é dado a observar, que uns foram preparados para a guerra, e outros, fizeram deles os ¨ bobos da corte ¨.
No meio de tudo isto, na ânsia de encontrar responsáveis, onde de fato não existem, as instituições e os professores são punidos verbal, física, ou administrativamente, porque o poder parece estar num dos lados, que tende a esmagar o outro.
Estamos colocados numa luta de poderes, e não perante a tentativa séria de solucionar o conflito.
Na tentativa de explicar o fenómeno, alguns analistas referem um poder narcisista exacerbado como causa do bullying, mas contudo não parece que seja regra, em que outro elemento podemos observar, o sadismo, que impulsiona o indivíduo a provocar dor e sofrimento no outro.
Podemos notar também um poder de negação exaltado, que tende a afirmar o indivíduo, e a denegrir a imagem do outro.
São fatores que corrompem o conceito de humanização, sendo uma lança espetada no coração alheio, que o faz sentir-se inferior, pequeno, desprotegido, e incapaz de superar as dificuldades que se deparam pelo o caminho.
Em termos práticos, se uns demonstram ter força bastante, que lhes sobra até, para levar por diante suas intenções, outros não parecem ser possuídos por ela , necessitando da ajuda dos outros.
Assim criamos uma sociedade de dependentes, que fala em humanização, mas que na verdade o que os comanda, para o bem, e para o mal, é a psicologia social estética, que não apresenta condição alguma de ser enquadrado num processo de humanização.
Não significa porém, que a estética não possa fazer parte da vida do ser humano, bem pelo o contrário, mas apenas que deve ter limites, sem idealismos, para que possa dar continuidade a um processo de humanização, rumo á socialização.
Julgo tratar-se da ignorância relativamente ás atitudes cometidas durante a formação infantil, que dão o efeito contrário do desejado.
Sou assaltado pela dúvida, se os suicídios, sendo casos extremos, não correspondam de fato a um desamparo total, cuja primeva origem está na formação infantil, como negação da própria criança, que criou obstáculos na relação pais / filhos, em que o excesso de proteção, escassez, ou a negação de si mesmo, a faz sentir-se desprotegida.
Nenhum de nós pode falar do que não sabe, dado que nos falta o histórico familiar.
O fato é que foi dado, sabe-se lá por quem, e devido a quê, ao professor e ás instituições de ensino a tarefa de tentar endireitar as paredes tortas de uma formação infantil, que parece ninguém desejar, mas que faz-se presente no cotidiano.
Continua ..
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Bullying
Tal fenómeno sempre existiu, embora não tendo uma designação específica anteriormente, nos são dados a conhecer fatos semelhantes de violência verbal e física nas escolas, desde há muito.
Hoje, a visibilidade desses casos é muito maior, dada a evolução dos meios de comunicação, que transferem a noticia em tempo real para qualquer canto do planeta, o que antes era impossível.
Temos nos dias de hoje uma noção mais real da violência que grassa no mundo, o que nos traz mais assustados e preocupados, em virtude do ser humano observar a verdadeira dimensão do problema.
Aquilo que era dado a conhecer numa comunidade, e resolvido localmente, na sociedade atual, em virtude do desenvolvimento tecnológico e científico, tende a sofrer interferências de toda a ordem, que por vezes limita a ação de quem tem por dever decidir.
Tal limitação emerge de uma relação, entre o desenvolvimento atual, que não só produz bens de consumo, mas também conhecimento, que se debate com a interioridade de cada um, quanto á forma de sentir as coisas, e o mundo á sua volta.
A meu ver, existiu uma evolução do bem estar económico e social, uma produção superior de bens de consumo, e uma expansão dos meios de comunicação, em contrapartida deu-se a estagnação, quanto á forma como tudo isso é elaborado no psiquismo de cada indivíduo, face a uma lei psíquica incorporada na fase infantil, que não tem em conta a realidade.
Ou seja, na maioria dos casos, as pessoas não estavam, e não estão preparadas mentalmente, para lidar com alguns excessos, nem com a escassez, e por isso reagem a seu modo.
De onde resulta uma falta de adaptação a uma realidade exterior, mostrando-se incompatível com a sua interioridade, o que tende a transformar o social, num campo de batalha político e económico, cuja finalidade vai no sentido de obter a qualquer custo os frutos dessa evolução tecnológica e científica.
Pergunta-se : Serão as circunstâncias que despertam e violência ?
Ou, o indivíduo já contém em si o gérmen, esperando o melhor momento para deixar fluir todo o seu conteúdo ?
O que é fato é que se não existir a semente, o crescimento de algo é impossível, por inexistência de um corpo que contenha vida, que, por isso, não representa, nem se faz representar através de um sentido.
Desejo com isto afirmar, que a representação da violência, faz-se representar através de um corpo, que dela tomou sentido, restando saber, devido a quê, e através de quem foi incorporado tal sentido.
Falamos no desamparo da vítima, em virtude de não estar, ou ser protegida das agressões alheias, sejam verbais ou físicas, em que a motricidade ganha evidencia, em detrimento de uma atitude ¨ madura ¨, dirão alguns, que premeie a compreensão e a tolerância.
Mas não falamos do desamparo do agressor, desprovido do respeito e consideração pelo o outro, do qual também foi vítima na infância, que reproduz do mesmo modo á entrada da adolescência de forma mais violenta, o que lhe foi incorporado.
Aqueles desamparados no social, estes amparados por uma formação social estética, que lhes negou o sentido do respeito e consideração pelo o semelhante.
Se uns estão amparados por um sentimento de superioridade, outros estão desamparados por um sentimento de inferioridade, que os faz sofrer, e sentirem-se excluídos.
O desamparo deve ser entendido segundo o princípio da psicanálise, a que Freud se refere nos seus escritos, que tem um enquadramento diferente daquele que lhe é dado vulgarmente.
No fundo existe uma diferença considerável entre aqueles que estão amparados socialmente, e os outros, que estão amparados e incorporam a ideia de humanização.
Hoje, a visibilidade desses casos é muito maior, dada a evolução dos meios de comunicação, que transferem a noticia em tempo real para qualquer canto do planeta, o que antes era impossível.
Temos nos dias de hoje uma noção mais real da violência que grassa no mundo, o que nos traz mais assustados e preocupados, em virtude do ser humano observar a verdadeira dimensão do problema.
Aquilo que era dado a conhecer numa comunidade, e resolvido localmente, na sociedade atual, em virtude do desenvolvimento tecnológico e científico, tende a sofrer interferências de toda a ordem, que por vezes limita a ação de quem tem por dever decidir.
Tal limitação emerge de uma relação, entre o desenvolvimento atual, que não só produz bens de consumo, mas também conhecimento, que se debate com a interioridade de cada um, quanto á forma de sentir as coisas, e o mundo á sua volta.
A meu ver, existiu uma evolução do bem estar económico e social, uma produção superior de bens de consumo, e uma expansão dos meios de comunicação, em contrapartida deu-se a estagnação, quanto á forma como tudo isso é elaborado no psiquismo de cada indivíduo, face a uma lei psíquica incorporada na fase infantil, que não tem em conta a realidade.
Ou seja, na maioria dos casos, as pessoas não estavam, e não estão preparadas mentalmente, para lidar com alguns excessos, nem com a escassez, e por isso reagem a seu modo.
De onde resulta uma falta de adaptação a uma realidade exterior, mostrando-se incompatível com a sua interioridade, o que tende a transformar o social, num campo de batalha político e económico, cuja finalidade vai no sentido de obter a qualquer custo os frutos dessa evolução tecnológica e científica.
Pergunta-se : Serão as circunstâncias que despertam e violência ?
Ou, o indivíduo já contém em si o gérmen, esperando o melhor momento para deixar fluir todo o seu conteúdo ?
O que é fato é que se não existir a semente, o crescimento de algo é impossível, por inexistência de um corpo que contenha vida, que, por isso, não representa, nem se faz representar através de um sentido.
Desejo com isto afirmar, que a representação da violência, faz-se representar através de um corpo, que dela tomou sentido, restando saber, devido a quê, e através de quem foi incorporado tal sentido.
Falamos no desamparo da vítima, em virtude de não estar, ou ser protegida das agressões alheias, sejam verbais ou físicas, em que a motricidade ganha evidencia, em detrimento de uma atitude ¨ madura ¨, dirão alguns, que premeie a compreensão e a tolerância.
Mas não falamos do desamparo do agressor, desprovido do respeito e consideração pelo o outro, do qual também foi vítima na infância, que reproduz do mesmo modo á entrada da adolescência de forma mais violenta, o que lhe foi incorporado.
Aqueles desamparados no social, estes amparados por uma formação social estética, que lhes negou o sentido do respeito e consideração pelo o semelhante.
Se uns estão amparados por um sentimento de superioridade, outros estão desamparados por um sentimento de inferioridade, que os faz sofrer, e sentirem-se excluídos.
O desamparo deve ser entendido segundo o princípio da psicanálise, a que Freud se refere nos seus escritos, que tem um enquadramento diferente daquele que lhe é dado vulgarmente.
No fundo existe uma diferença considerável entre aqueles que estão amparados socialmente, e os outros, que estão amparados e incorporam a ideia de humanização.
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