Quando a criança se apresenta para participar numa modalidade, seja qual for, ela o faz com alegria, para ela é um jogo, mas sem perceber que vai sujeitar-se a regras, para que possa ter uma certa disciplina que o jogo exige.
A participação coletiva, a convivência com outros seres humanos, oriundos dos mais diversos extratos sociais, de diferentes raças, de poder económico diferenciado, pertencentes a outras culturas, esbatem os preconceitos que possam existir, para começarem a perceber que afinal somos todos iguais, mais ou menos, como diria um amigo meu.
A criança confronta-se com um outro mundo exterior, e a sua resposta inicial é derivada da sua formação familiar, que necessita de ser adaptada.
Uns tentam não atender a essas regras, as transgredir, ocupando todo o espaço e invadir o dos outros. Alguns ouvem as instruções e as seguem com tanto rigor, que são incapazes de serem criativos, e de sair alguma vez do seu raio de ação.
Aos primeiros o técnico lhes tenta condicionar os movimentos, e aos outros os incentiva, para que possam ser criativos e participar mais no jogo.
Ao impor uma disciplina em relação ao jogo, o seu trabalho é de maior importância no aspecto formativo, da educação, do que própriamente nos resultados desportivos, substituindo tantas as vezes a família nesse papel.
È ele que observa quem tem pela frente, que gere o lado humano e as suas relações com os outros, e que vai tentar aproveitar as potencialidades de cada um, na tentativa de enriquecer o grupo, sendo este mais importante que o individual, aproveitando as energias a mais de uns, e tentando que outros ganhem alma, em que a bola é o elemento que os atrai e distrai nos movimentos que os vão cansar, e o time contrário é simplesmente o outro lado, que tem de existir para que se comece o jogo.
Nestas idades, a diferença de um ano, faz com que o poder físico se imponha, assim como a sua qualidade técnica e táctica, por levarem de avanço doze meses, em que repetiram milhares de vezes os mesmos movimentos que os mais novos ainda não experimentaram, daí que o resultado final de um jogo não deva merecer tanta atenção, mas antes a sua participação.
Mas se repararmos, alguns pais que estão a assistir, em vez de perceberem isso, promovem uma guerra na assistência, xingando o juiz e o técnico, querendo impor os seus valores, que embora não entenda, são complexos de inferioridade, com lamentáveis e tristes cenas, sendo ele o instigador da rebeldia e da transgressão do seu próprio filho, porque algo se está transformar neste, e não deseja, porque não dá conta em gerir os seus sentimentos, e o pretende preso ao seus princípios de formação familiar, não permitindo a liberdade à criança para escolher o seu próprio caminho.
Afinal ele também precisaria de um Filipão para o educar.
Olhamos as crianças correndo atrás de uma bola, dizemos que estão a brincar, mas na realidade o que isso significa? Olhamos, mas não observamos porque existe aquela necessidade de esbanjar energia, nem conseguimos entender o que o jogo pode dar à criança, e só quando nos debruçamos numa tentativa de reflexão vamos encontrar algumas respostas e começamos a ficar surpreendidos, porque o jogo é muito mais que o próprio jogo.
A primeira realidade prende-se com a necessidade do movimento, que tem a ver com a renovação de energia corpórea, é nesta constante renovação que o corpo se sente bem, não sobrando tempo para fazer outras traquinices, porque cansado e esgotado, deseja o repouso para recuperar as energias.
Percebe-se então, que é uma necessidade a descarga de energia, e que após uma pausa, o corpo recupera novamente a energia perdida, num perfeito movimento, que podemos considerar de vida.
A repetição constante do movimento, faz com que a criança adquira mais depressa uma coordenação motora e psíquica, é devido a esse mecanismo, o aperfeiçoamento devido a repetição do movimento, que com o treino adequado, a criança evolui na modalidade que escolheu. Ela começa então a perceber, que só treinando, exercitando, fazendo, pode atingir níveis de aperfeiçoamento, que numa relação de imagens, e tomando como exemplo o desporto, pode transferir o mesmo modo de pensar para os estudos e para o cotidiano. Só por isso valeria a pena, as entidades oficiais e não oficiais, investirem em cada bairro das cidades, em espaços que possam permitir às crianças o acesso a atividade desportiva, porque não se trata apenas de trazer ocupadas as crianças, mad dar-lhe motivação r ptazer tão necessário para a vida.
A idéia que a criança tem que aprender, sujeita a uma disciplina rígida, bem comportada e fechada no quarto a estudar, para ser alguém na vida, por vezes mais tarde se percebe que os pais colheram o fruto que não desejavam, porque não entenderam que o tempo próprio das brincadeiras, do jogo, da alegria, do movimento, em que ela se sente feliz, devia acontecer, e que a criança aprende, quando joga e pratica o seu desporto favorito, existindo uma disponibilidade física e psíquica, que lhe permite ser melhor.
sábado, 12 de junho de 2010
Educação - As escolinhas de futebol
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Carta a Maitê Proença
Recebido por E-Mail de um amigo
*Antes de lerem a carta da Dra. Mafalda Carvalho, Professora Doutora da
Universidade de Coimbra, endereçada à Maitê Proença, algumas observações**
sobre as razões da missivista:
1) Maitê Proença disse no programa "Saia Justa" umas gracinhas sobre a
inteligência dos portugueses. Fez comentários descabidos sobre a História de
Portugal, sobre tradições portuguesas que ela desconhece, sobre o estuário
do Rio Tejo, reduziu Sintra a uma vilazinha, criticou e ridicularizou o
atendimento a seu PC pelo pessoal do hotel onde estava hospedada... e por aí
afora.
2) O programa passa em Portugal e causou um grande mal estar lá na
"terrinha".
Quando foi execrada pelos portugueses, no seu pedido de desculpas ainda
disse que o povo Português não tem senso de humor. **Que foi "apenas" uma
brincadeirinha.*
*3) É o que dá quando a pessoa fala sem conhecimento de causa. Esta
professora portuguesa além de escrever muito bem, acabou com a Maitê
Proença e de quebra, com os nossos representantes em Brasília, protagonistas
de um vasto anedotário.**
4) Leia até o fim, pois a postura da Professora é excelente e nós..... temos
que ficar caladinhos.... É isso que dá, alguém despreparado emitir
conceitos sobre assuntos que não domina, com apoio dos alienados das redes
de TV Brasileira, que se consideram o máximo em cultura ..
5) E temos que engolir calados e com humildade o desabafo dessa senhora
portuguesa, generalizando e nivelando todos os brasileiros. Mesmo porque ela
não diz nenhuma inverdade.
6) A que ponto chegamos! Não temos mais nem o direito de nos indignar.. Pobre
Brasil! É o declínio moral de uma Nação.
CARTA-RESPOSTA DE UMA PROFESSORA E DOUTORA PORTUGUESA PARA MAITÉ PROENÇA
Exma. Senhora:
Foi com indignação que vi a ‘peça cómica’ que fez em Portugal e passou
no programa Saia Justa em que participa. Não que me espante que o tenha
feito – está à altura da imagem que há muito tenho de si, pelo que me tem
sido dado ver pelos seus desempenhos – mas sim pelo facto da TV Globo ter
permitido que tal ignorância fosse para o ar.
Só para que possa, se conseguir, ficar um pouco mais esclarecida: A
‘vilazinha’ de Sintra é património da Humanidade, classificada pela UNESCO e
unanimemente reconhecida como uma das mais belas e bem preservadas cidades
históricas do mundo;
Em Portugal, onde existem pessoas que olham para o mouse do seu
computador como se de uma capivara se tratasse, foi onde foi inventado o
serviço pré-pago de telefones móveis (os celulares) – não existia nenhum no
mundo que sequer se aproximasse e foi também o que inventou o sistema de
passagem nas portagens (pedagios, se preferir), sem ter que parar – quando
passar por alguma, sem ter que ficar na fila, lembre-se que deve isso aos
portugueses.
É um dos países do Mundo com maior taxa de penetração de computadores e
serviços de internet em ambiente doméstico. É o único país do mundo onde
TODAS as crianças que frequentam a escola têm acesso directo a um computador
(no próprio estabelecimento de ensino) – e em Portugal TODAS as crianças vão
à escola... Muitas delas até têm um computador próprio, para seu uso
exclusivo, oferecido ou parcialmente financiado pelo Ministério da Educação
– já ouviu falar do Magalhães? É natural que não... mas saiba que é uma
criação nossa, que está a ser adquirida por outros países. Recomendo-o
vivamente – é muito simples e adequado para quem tem poucos conhecimentos de
informática.
Somos tão inovadores em matéria de utilização de tecnologia informática
e web nas escolas, que o nosso caso foi recomendado por especialistas
americanos, como exemplo a seguir, a Barack Obama, que é só o Presidente dos
Estados Unidos – ao Sr. Lula da Silva tal não seria oportuno, porque ele
considera que a Escola não é determinante no sucesso das pessoas (e, no
Brasil, a julgar pelo próprio, tem toda a razão).
A internet à velocidade de 1 Mega, em Portugal há muito que é
considerada obsoleta – eu percebo que não entenda porquê, porque no Brasil é
hoje anunciada como o grande factor diferenciador a transmissão por cabo que
já não nos interessa. Já estamos noutra – estamos entre os países do mundo
com a rede de fibra óptica mais desenvolvida.E nesse contexto 1 Mega é mesmo
uma brincadeira.
O ditador a que se refere – o Salazar – governou, infelizmente, ‘mais
de 20 anos’, mas para a próxima, para ser mais precisa, diga que foram 48
(INFELIZMENTE, é mais do dobro de 20). Ainda assim, e apesar do muito dano
que nos causou a sua governação, nós, portugueses, conseguimos em 35 anos
reduzir praticamente a ZERO a taxa de analfabetos e baixar para cifras
irrisórias o nível de mortalidade infantil e de mulheres no parto onde
estamos entre os melhores do mundo.
Criar uma rede viária que é das mais avançadas do mundo – em Portugal,
sem exceder os limites de velocidade e sem correr risco de vida, fazemos 300
km em duas horas e meia (daria tanto jeito que no Brasil também fosse
assim!).
Melhorar muito o nível de vida das pessoas, promovendo salários e
condições de trabalho condignos. Temos ainda muito para fazer nesta matéria,
mas já não temos pessoas fechadas em elevadores, cuja função é apenas
carregar no botão do andar pretendido – cada um de nós sabe como fazê-lo e
aproveitamos as pessoas para trabalhos mais estimulantes e úteis; também já
não temos trabalhadores agrícolas em regime de escravatura – cada pessoa
aqui tem um salário, não trabalha a troco de um prato de comida.
Colocar-nos na vanguarda mundial das energias renováveis, menos
poluentes, mais preservadoras do planeta; enquanto uns continuam a escavar
petróleo, nós estamos a instalar o maior parque de energia eólica do mundo
(é a energia produzida a partir do vento).
Poderia também explicar-lhe quem foi Camões, Fernando Pessoa, etc.,
cujos túmulos viu no Mosteiro dos Jerónimos, mas eles merecem muito mais.
Ah!, já agora, deixe-me dizer-lhe também que num ponto estou muito de
acordo consigo: temos muito pouco sentido de humor. É verdade. Não
acharíamos graça nenhuma se tivéssemos deputados a receber mesada para
votarem num certo sentido, não nos divertiria muito se encontrassem
dirigentes políticos com dinheiro na cueca, não nos faria rir ter senadores
a construir palácios megalómanos à conta de sobre-facturação do Estado, não
encontramos piada quando os políticos favorecem familiares e usam o seu
poder em benefício próprio. Ficaríamos, pelo contrário, tão furiosos, que os
colocaríamos na cadeia. Veja só – quanta falta de humor. Mas, pelo
contrário, fazem-me rir as sessões plenárias do senado brasileiro. Aqui em
Portugal , e estou certa que em toda a Europa, tal daria um excelente
programa de humor.
Que estranho, não é?
Para terminar só uma sugestão: deixe o humor para quem no Brasil o
sabe fazer com competência (e há humoristas muito bons no Brasil). Como
alternativa, não sei o que lhe sugerir, porque ainda não a vi fazer nada que
verdadeiramente me indicasse talento...
Peço desculpa por não poder contribuir.
*
*Mafalda Carvalho - Professora Doutora da Universidade de Coimbra *
*Antes de lerem a carta da Dra. Mafalda Carvalho, Professora Doutora da
Universidade de Coimbra, endereçada à Maitê Proença, algumas observações**
sobre as razões da missivista:
1) Maitê Proença disse no programa "Saia Justa" umas gracinhas sobre a
inteligência dos portugueses. Fez comentários descabidos sobre a História de
Portugal, sobre tradições portuguesas que ela desconhece, sobre o estuário
do Rio Tejo, reduziu Sintra a uma vilazinha, criticou e ridicularizou o
atendimento a seu PC pelo pessoal do hotel onde estava hospedada... e por aí
afora.
2) O programa passa em Portugal e causou um grande mal estar lá na
"terrinha".
Quando foi execrada pelos portugueses, no seu pedido de desculpas ainda
disse que o povo Português não tem senso de humor. **Que foi "apenas" uma
brincadeirinha.*
*3) É o que dá quando a pessoa fala sem conhecimento de causa. Esta
professora portuguesa além de escrever muito bem, acabou com a Maitê
Proença e de quebra, com os nossos representantes em Brasília, protagonistas
de um vasto anedotário.**
4) Leia até o fim, pois a postura da Professora é excelente e nós..... temos
que ficar caladinhos.... É isso que dá, alguém despreparado emitir
conceitos sobre assuntos que não domina, com apoio dos alienados das redes
de TV Brasileira, que se consideram o máximo em cultura ..
5) E temos que engolir calados e com humildade o desabafo dessa senhora
portuguesa, generalizando e nivelando todos os brasileiros. Mesmo porque ela
não diz nenhuma inverdade.
6) A que ponto chegamos! Não temos mais nem o direito de nos indignar.. Pobre
Brasil! É o declínio moral de uma Nação.
CARTA-RESPOSTA DE UMA PROFESSORA E DOUTORA PORTUGUESA PARA MAITÉ PROENÇA
Exma. Senhora:
Foi com indignação que vi a ‘peça cómica’ que fez em Portugal e passou
no programa Saia Justa em que participa. Não que me espante que o tenha
feito – está à altura da imagem que há muito tenho de si, pelo que me tem
sido dado ver pelos seus desempenhos – mas sim pelo facto da TV Globo ter
permitido que tal ignorância fosse para o ar.
Só para que possa, se conseguir, ficar um pouco mais esclarecida: A
‘vilazinha’ de Sintra é património da Humanidade, classificada pela UNESCO e
unanimemente reconhecida como uma das mais belas e bem preservadas cidades
históricas do mundo;
Em Portugal, onde existem pessoas que olham para o mouse do seu
computador como se de uma capivara se tratasse, foi onde foi inventado o
serviço pré-pago de telefones móveis (os celulares) – não existia nenhum no
mundo que sequer se aproximasse e foi também o que inventou o sistema de
passagem nas portagens (pedagios, se preferir), sem ter que parar – quando
passar por alguma, sem ter que ficar na fila, lembre-se que deve isso aos
portugueses.
É um dos países do Mundo com maior taxa de penetração de computadores e
serviços de internet em ambiente doméstico. É o único país do mundo onde
TODAS as crianças que frequentam a escola têm acesso directo a um computador
(no próprio estabelecimento de ensino) – e em Portugal TODAS as crianças vão
à escola... Muitas delas até têm um computador próprio, para seu uso
exclusivo, oferecido ou parcialmente financiado pelo Ministério da Educação
– já ouviu falar do Magalhães? É natural que não... mas saiba que é uma
criação nossa, que está a ser adquirida por outros países. Recomendo-o
vivamente – é muito simples e adequado para quem tem poucos conhecimentos de
informática.
Somos tão inovadores em matéria de utilização de tecnologia informática
e web nas escolas, que o nosso caso foi recomendado por especialistas
americanos, como exemplo a seguir, a Barack Obama, que é só o Presidente dos
Estados Unidos – ao Sr. Lula da Silva tal não seria oportuno, porque ele
considera que a Escola não é determinante no sucesso das pessoas (e, no
Brasil, a julgar pelo próprio, tem toda a razão).
A internet à velocidade de 1 Mega, em Portugal há muito que é
considerada obsoleta – eu percebo que não entenda porquê, porque no Brasil é
hoje anunciada como o grande factor diferenciador a transmissão por cabo que
já não nos interessa. Já estamos noutra – estamos entre os países do mundo
com a rede de fibra óptica mais desenvolvida.E nesse contexto 1 Mega é mesmo
uma brincadeira.
O ditador a que se refere – o Salazar – governou, infelizmente, ‘mais
de 20 anos’, mas para a próxima, para ser mais precisa, diga que foram 48
(INFELIZMENTE, é mais do dobro de 20). Ainda assim, e apesar do muito dano
que nos causou a sua governação, nós, portugueses, conseguimos em 35 anos
reduzir praticamente a ZERO a taxa de analfabetos e baixar para cifras
irrisórias o nível de mortalidade infantil e de mulheres no parto onde
estamos entre os melhores do mundo.
Criar uma rede viária que é das mais avançadas do mundo – em Portugal,
sem exceder os limites de velocidade e sem correr risco de vida, fazemos 300
km em duas horas e meia (daria tanto jeito que no Brasil também fosse
assim!).
Melhorar muito o nível de vida das pessoas, promovendo salários e
condições de trabalho condignos. Temos ainda muito para fazer nesta matéria,
mas já não temos pessoas fechadas em elevadores, cuja função é apenas
carregar no botão do andar pretendido – cada um de nós sabe como fazê-lo e
aproveitamos as pessoas para trabalhos mais estimulantes e úteis; também já
não temos trabalhadores agrícolas em regime de escravatura – cada pessoa
aqui tem um salário, não trabalha a troco de um prato de comida.
Colocar-nos na vanguarda mundial das energias renováveis, menos
poluentes, mais preservadoras do planeta; enquanto uns continuam a escavar
petróleo, nós estamos a instalar o maior parque de energia eólica do mundo
(é a energia produzida a partir do vento).
Poderia também explicar-lhe quem foi Camões, Fernando Pessoa, etc.,
cujos túmulos viu no Mosteiro dos Jerónimos, mas eles merecem muito mais.
Ah!, já agora, deixe-me dizer-lhe também que num ponto estou muito de
acordo consigo: temos muito pouco sentido de humor. É verdade. Não
acharíamos graça nenhuma se tivéssemos deputados a receber mesada para
votarem num certo sentido, não nos divertiria muito se encontrassem
dirigentes políticos com dinheiro na cueca, não nos faria rir ter senadores
a construir palácios megalómanos à conta de sobre-facturação do Estado, não
encontramos piada quando os políticos favorecem familiares e usam o seu
poder em benefício próprio. Ficaríamos, pelo contrário, tão furiosos, que os
colocaríamos na cadeia. Veja só – quanta falta de humor. Mas, pelo
contrário, fazem-me rir as sessões plenárias do senado brasileiro. Aqui em
Portugal , e estou certa que em toda a Europa, tal daria um excelente
programa de humor.
Que estranho, não é?
Para terminar só uma sugestão: deixe o humor para quem no Brasil o
sabe fazer com competência (e há humoristas muito bons no Brasil). Como
alternativa, não sei o que lhe sugerir, porque ainda não a vi fazer nada que
verdadeiramente me indicasse talento...
Peço desculpa por não poder contribuir.
*
*Mafalda Carvalho - Professora Doutora da Universidade de Coimbra *
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Sistematização
Quando o quadro está um pouco descaído, por milímetros que seja, o neurótico obsessivo dá logo por isso, e se possível anda com um nível portátil no bolso, para logo aferir, dizendo para o parceiro do lado:
-Eu não disse que estava torto.
E acrescenta; tem uma diferença de um milímetro.
Eh pá, que satisfação.
Finalmente consegui colocar uma coisa, alguma coisa no lugar certo.
O quadro agora está perfeito, semelhante á minha imagem interior, alinhado, quietinho e rígido, que qualquer movimento não o possa perturbar, porque logo fico incomodado, e ansioso para o colocar de novo no mesmo lugar, alinhado.
O nível indica que está tudo no perfeito lugar, mas ainda assim dou três passos á retaguarda, alinho o meu corpo com o quadro, e tento tirar a medida com os olhos.
Não parece que esteja direitinho, mas que fazer, o nível diz que sim, e ele é o instrumento de que me sirvo para garantir a exatidão do alinhamento das coisas.
Ou será que o nível já não é mais nível que preste ?
Tenho que ir á loja comprar um novo.
Faz-me lembrar aquela mãe que vai á parada militar do juramento de bandeira de seu filho recruta, em que todos marcham com passo semelhante, e o Manuel está com o passo atrasado, que quando levanta o pé direito, já todos os outros bateram com o esquerdo no chão, e que diz para a senhora do lado, que todos os outros é que estão com o passo trocado.
Tudo quanto é seu, que consta da sua interioridade e está inscrito nos manuais dos registos psíquicos, é para toda a gente cumprir, mesmo que ele ande com o passo trocado.
Mas vá a criatura saber disso, se ela julga e tem a certeza que o seu menino é que está certo e todos os outros errados.
Parece existir claramente uma identificação objetal, que parte de um desejo, do seu mundo imaginário, proveniente de uma relação rígida e prepotente, que a retirou de uma visão exterior que pudesse levar em consideração.
Faz lembrar aqueles burros a quem o dono colocou uma palas laterais nos olhos, para seguir em frente, o impedindo de olhar para os lados, cuja repetição sistemática, quando nem palas existem mais, continua a fazer o mesmo.
Os objetos da vida real, não podem fugir do padronizado dessa ordem interna, nem que seja um milímetro.
Repetição é apenas um movimento de uma determinada forma que pretende ser objetivada, mas que nada nos diz acerca dos elementos que constituem o núcleo sistêmico, nem a forma como estão organizados.
No mundo das imagens armazenadas na memória, e das idéias que são produzidas, mais não são que outras imagens que se associam, conferindo um sentido, na tentativa do indivíduo perceber a totalidade do objeto.
O rigor pela medida exata, é produzido pela repetição sistemática de um desejo alheio, que proíbe ao indivíduo de enxergar outras formas de percepção, que o impede de olhar para o lado.
Parece existir uma luta entre sistemas.
Para esses indivíduos não parece existir o mais ou menos equilibrado, mas o exato, a matemática, que para eles é só meia noite, quando os ponteiros se unem lá no cimo, em que não se consegue perceber nenhuma diferença entre eles, não obstante serem diferentes.
Ou seja, os objetos exteriores devem manter uma identificação entre eles, e estes devem estar alinhados com a imagem contida na sua própria interioridade.
Existe como uma colagem á moda dos computadores, que aquilo que o operador copia é o mesmo que vai colar noutro lugar qualquer, ao transferir o texto, ou a imagem contida no seu conteúdo programático.
O indivíduo não se apercebe, mas é apenas um ¨ transfere ¨, de uma ordem escrita ou verbalizada, de algo que não lhe pertence, como testemunho de uma formação infantil, que tem que passar aos vindouros e a seus semelhantes.
Se é o testemunho da lei do pai, ou tem algum conteúdo da postura mãe, ou de ambos, são casos que devem ser percebidos no particular, o que importa mesmo é que foi colocado nas mãos do indivíduo o testemunho, cuja finalidade é garantir ao sujeito mover-se na vida de forma autônoma.
Este processo é repetitivo, e o transferir também.
A tendência por isso, vai no sentido do afastamento do objeto exterior, que foi garante da passagem do testemunho, e a conseqüente internalização da lei e suas regras.
Quando os formadores fazem a entrega da cesta básica, transferem também o seu conteúdo, e, é a partir daí que podemos perceber e observar algumas diferenças interessantes.
Eu para os meus filhos não vou ser como o meu pai, ou mãe, que não dava carinho, e ao primeiro não, vinha logo o porrete.
Esta idéia transforma tantas vezes o futuro pai em bobão e afetuoso em demasia.
E eis a surpresa, fez dos filhos o seu próprio pai, porque exigentes, prepotentes, intolerantes e sem regras, tudo exigem, mesmo que seja necessário desenterrar o porrete do avô.
Se na geração do avô, eram os filhos que não piavam, por medo da punição, na geração do pai, são os filhos que mandam nos pais.
Outra conclusão interessante; aquele pai, por ser tão rigidamente tratado, e tantas vezes agredido fisicamente, por desejar ser o contrário, deixa-se maltratar por seus filhos.
É o caso de uma paciente, ainda ativa, cujo pai foi um vilão, que teve de trabalhar duramente para não morrer á fome, conseguindo um razoável patrimônio que colocou em nome das filhas, agora vive atormentada por não ter uma casa em seu nome para morar, temendo o seu futuro.
Desta história resulta, que uns passaram o testemunho verdadeiro de seus pais, e outros, embora poucos, quiseram oferecer a seus filhos, o contrário daquilo que os pais lhe ofereceram..
Desta fornada, nenhum deles conseguiu o equilíbrio emocional, quando confrontados com o mundo exterior.
As circunstâncias da vida encarregaram-se de revelar quanto fora inadequada a sua formação infantil.
Podemos deduzir por isso, que embora tenha existido a mesma base formativa repressiva, tende a emergir variantes, proveniente de um mundo de convicções, mas onde impera a falta de regras.
A quantidade de energia acumulada devido a agressões verbais e físicas, parece ser apenas parte de um fenômeno, de um corpo feito criança, que não tem condição alguma de defender-se, ou sequer fugir.
Existiu uma fase de enchimento de energia, sob a forma de tensão, que designamos por acúmulo, devido a atitudes repressivas, insuflada á força no corpo da criança.
Ela será um balão cheio de ar, sem regra alguma, que não sabe onde e como pode esvaziar o seu conteúdo, que lhe cria um certo mal estar interior.
Ao tentar esvaziar essa energia com os colegas, por exemplo, o tende a fazer da forma como conhece.
E o que conhece, não são regras, mas apenas gestos e verbalizações brutas, que ¨ transfere ¨para o mundo exterior.
O que transfere é apenas energia.
Somos colocados perante o corpo físico, seu estudo e investigação, que para existir serve-se da química.
Existe uma relação e uma interligação, que está para além do corpo físico.
Aquilo que nos é dado a observar encontra-se no plano físico, que funciona através dos sentidos, a que chamamos de consciência.
O que está para além dele são energias com seus transferes, que uns captam, outros não, e tantos outros deixam envolver-se.
A energia é uma forma abstrata derivada de uma relação entre corpos, que era desconhecida do ser humano nos tempos mais primitivos. Por isso ao observar os fenômenos da natureza, julgavam a existência de seres com mais poder, os Deuses, que não se deixavam enxergar.
Hoje todos falamos de energia.
O avanço tecnológico e científico, desbravou o caninho da ignorância, e parte dessa história antiga de Deuses tende a ser esquecida, e perigosamente para alguns, prepara-se o assalto ao próprio Deus, na tentativa de demonstrar que ele não existe.
O pior não é se Deus existe ou não, mas a verbalização do ser humano, que produz a afirmação ou negação da sua existência, cujas conseqüências na relação humana desconhecemos.
Para Deus é irrelevante a palavra do homem, não chegando a molestar conceito algum que possa ter acerca dele, mas serve, de motivo de luta contra o seu próprio irmão.
O povo costuma dizer, que vozes de burro não chegam ao céu.
E porque não chegam ?
Porque é uma ordem da própria natureza, que é imutável quanto a seus princípios básicos, que tende á transformação, embora tão lenta, que é quase imperceptível para o homem, mas seguindo os mesmos princípios e a mesma ordem.
Essa ordem deve ser entendida como sistema, cujos movimentos, que é garantido por uma determinada quantidade de energia, conduzem o ser humano ao sistemático, ou á sistematização.
O sistema é derivado de um desejo corpóreo, que não intelectual.
É devido a isso, que um ser humano intelectualizado, apresenta os mesmos conflitos psíq uicos que outro sujeito qualquer, e tem as mesmas dificuldades em superar esses momentos, que se manifestam por sistema, sistematizados.
Quando falamos de sistemas, estamos a tratar de modos de organização, que para existir deve obedecer a princípios.
Sistematização é o movimento gerado, ou impulsionado através de uma ordem sistêmica.
Porém, a sistematização nada nos diz, quanto a conteúdos, sentidos, elementos ideativos e energéticos que o constituem.
-Eu não disse que estava torto.
E acrescenta; tem uma diferença de um milímetro.
Eh pá, que satisfação.
Finalmente consegui colocar uma coisa, alguma coisa no lugar certo.
O quadro agora está perfeito, semelhante á minha imagem interior, alinhado, quietinho e rígido, que qualquer movimento não o possa perturbar, porque logo fico incomodado, e ansioso para o colocar de novo no mesmo lugar, alinhado.
O nível indica que está tudo no perfeito lugar, mas ainda assim dou três passos á retaguarda, alinho o meu corpo com o quadro, e tento tirar a medida com os olhos.
Não parece que esteja direitinho, mas que fazer, o nível diz que sim, e ele é o instrumento de que me sirvo para garantir a exatidão do alinhamento das coisas.
Ou será que o nível já não é mais nível que preste ?
Tenho que ir á loja comprar um novo.
Faz-me lembrar aquela mãe que vai á parada militar do juramento de bandeira de seu filho recruta, em que todos marcham com passo semelhante, e o Manuel está com o passo atrasado, que quando levanta o pé direito, já todos os outros bateram com o esquerdo no chão, e que diz para a senhora do lado, que todos os outros é que estão com o passo trocado.
Tudo quanto é seu, que consta da sua interioridade e está inscrito nos manuais dos registos psíquicos, é para toda a gente cumprir, mesmo que ele ande com o passo trocado.
Mas vá a criatura saber disso, se ela julga e tem a certeza que o seu menino é que está certo e todos os outros errados.
Parece existir claramente uma identificação objetal, que parte de um desejo, do seu mundo imaginário, proveniente de uma relação rígida e prepotente, que a retirou de uma visão exterior que pudesse levar em consideração.
Faz lembrar aqueles burros a quem o dono colocou uma palas laterais nos olhos, para seguir em frente, o impedindo de olhar para os lados, cuja repetição sistemática, quando nem palas existem mais, continua a fazer o mesmo.
Os objetos da vida real, não podem fugir do padronizado dessa ordem interna, nem que seja um milímetro.
Repetição é apenas um movimento de uma determinada forma que pretende ser objetivada, mas que nada nos diz acerca dos elementos que constituem o núcleo sistêmico, nem a forma como estão organizados.
No mundo das imagens armazenadas na memória, e das idéias que são produzidas, mais não são que outras imagens que se associam, conferindo um sentido, na tentativa do indivíduo perceber a totalidade do objeto.
O rigor pela medida exata, é produzido pela repetição sistemática de um desejo alheio, que proíbe ao indivíduo de enxergar outras formas de percepção, que o impede de olhar para o lado.
Parece existir uma luta entre sistemas.
Para esses indivíduos não parece existir o mais ou menos equilibrado, mas o exato, a matemática, que para eles é só meia noite, quando os ponteiros se unem lá no cimo, em que não se consegue perceber nenhuma diferença entre eles, não obstante serem diferentes.
Ou seja, os objetos exteriores devem manter uma identificação entre eles, e estes devem estar alinhados com a imagem contida na sua própria interioridade.
Existe como uma colagem á moda dos computadores, que aquilo que o operador copia é o mesmo que vai colar noutro lugar qualquer, ao transferir o texto, ou a imagem contida no seu conteúdo programático.
O indivíduo não se apercebe, mas é apenas um ¨ transfere ¨, de uma ordem escrita ou verbalizada, de algo que não lhe pertence, como testemunho de uma formação infantil, que tem que passar aos vindouros e a seus semelhantes.
Se é o testemunho da lei do pai, ou tem algum conteúdo da postura mãe, ou de ambos, são casos que devem ser percebidos no particular, o que importa mesmo é que foi colocado nas mãos do indivíduo o testemunho, cuja finalidade é garantir ao sujeito mover-se na vida de forma autônoma.
Este processo é repetitivo, e o transferir também.
A tendência por isso, vai no sentido do afastamento do objeto exterior, que foi garante da passagem do testemunho, e a conseqüente internalização da lei e suas regras.
Quando os formadores fazem a entrega da cesta básica, transferem também o seu conteúdo, e, é a partir daí que podemos perceber e observar algumas diferenças interessantes.
Eu para os meus filhos não vou ser como o meu pai, ou mãe, que não dava carinho, e ao primeiro não, vinha logo o porrete.
Esta idéia transforma tantas vezes o futuro pai em bobão e afetuoso em demasia.
E eis a surpresa, fez dos filhos o seu próprio pai, porque exigentes, prepotentes, intolerantes e sem regras, tudo exigem, mesmo que seja necessário desenterrar o porrete do avô.
Se na geração do avô, eram os filhos que não piavam, por medo da punição, na geração do pai, são os filhos que mandam nos pais.
Outra conclusão interessante; aquele pai, por ser tão rigidamente tratado, e tantas vezes agredido fisicamente, por desejar ser o contrário, deixa-se maltratar por seus filhos.
É o caso de uma paciente, ainda ativa, cujo pai foi um vilão, que teve de trabalhar duramente para não morrer á fome, conseguindo um razoável patrimônio que colocou em nome das filhas, agora vive atormentada por não ter uma casa em seu nome para morar, temendo o seu futuro.
Desta história resulta, que uns passaram o testemunho verdadeiro de seus pais, e outros, embora poucos, quiseram oferecer a seus filhos, o contrário daquilo que os pais lhe ofereceram..
Desta fornada, nenhum deles conseguiu o equilíbrio emocional, quando confrontados com o mundo exterior.
As circunstâncias da vida encarregaram-se de revelar quanto fora inadequada a sua formação infantil.
Podemos deduzir por isso, que embora tenha existido a mesma base formativa repressiva, tende a emergir variantes, proveniente de um mundo de convicções, mas onde impera a falta de regras.
A quantidade de energia acumulada devido a agressões verbais e físicas, parece ser apenas parte de um fenômeno, de um corpo feito criança, que não tem condição alguma de defender-se, ou sequer fugir.
Existiu uma fase de enchimento de energia, sob a forma de tensão, que designamos por acúmulo, devido a atitudes repressivas, insuflada á força no corpo da criança.
Ela será um balão cheio de ar, sem regra alguma, que não sabe onde e como pode esvaziar o seu conteúdo, que lhe cria um certo mal estar interior.
Ao tentar esvaziar essa energia com os colegas, por exemplo, o tende a fazer da forma como conhece.
E o que conhece, não são regras, mas apenas gestos e verbalizações brutas, que ¨ transfere ¨para o mundo exterior.
O que transfere é apenas energia.
Somos colocados perante o corpo físico, seu estudo e investigação, que para existir serve-se da química.
Existe uma relação e uma interligação, que está para além do corpo físico.
Aquilo que nos é dado a observar encontra-se no plano físico, que funciona através dos sentidos, a que chamamos de consciência.
O que está para além dele são energias com seus transferes, que uns captam, outros não, e tantos outros deixam envolver-se.
A energia é uma forma abstrata derivada de uma relação entre corpos, que era desconhecida do ser humano nos tempos mais primitivos. Por isso ao observar os fenômenos da natureza, julgavam a existência de seres com mais poder, os Deuses, que não se deixavam enxergar.
Hoje todos falamos de energia.
O avanço tecnológico e científico, desbravou o caninho da ignorância, e parte dessa história antiga de Deuses tende a ser esquecida, e perigosamente para alguns, prepara-se o assalto ao próprio Deus, na tentativa de demonstrar que ele não existe.
O pior não é se Deus existe ou não, mas a verbalização do ser humano, que produz a afirmação ou negação da sua existência, cujas conseqüências na relação humana desconhecemos.
Para Deus é irrelevante a palavra do homem, não chegando a molestar conceito algum que possa ter acerca dele, mas serve, de motivo de luta contra o seu próprio irmão.
O povo costuma dizer, que vozes de burro não chegam ao céu.
E porque não chegam ?
Porque é uma ordem da própria natureza, que é imutável quanto a seus princípios básicos, que tende á transformação, embora tão lenta, que é quase imperceptível para o homem, mas seguindo os mesmos princípios e a mesma ordem.
Essa ordem deve ser entendida como sistema, cujos movimentos, que é garantido por uma determinada quantidade de energia, conduzem o ser humano ao sistemático, ou á sistematização.
O sistema é derivado de um desejo corpóreo, que não intelectual.
É devido a isso, que um ser humano intelectualizado, apresenta os mesmos conflitos psíq uicos que outro sujeito qualquer, e tem as mesmas dificuldades em superar esses momentos, que se manifestam por sistema, sistematizados.
Quando falamos de sistemas, estamos a tratar de modos de organização, que para existir deve obedecer a princípios.
Sistematização é o movimento gerado, ou impulsionado através de uma ordem sistêmica.
Porém, a sistematização nada nos diz, quanto a conteúdos, sentidos, elementos ideativos e energéticos que o constituem.
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Psicanálise
sábado, 5 de junho de 2010
Iogurte na prevenção de doenças
Pesquisadores da USP conseguiram produzir um iogurte que previne doenças coronárias, câncer de intestino e cólon, além de diminuir os níveis de colesterol ruim (LDL), prisão de ventre e intolerância à lactose. A bebida previne as doenças porque agrega além de bactérias típicas de iogurtes três microorganismos que fazem bem à saúde.
A bebida ainda precisa ser patenteada e não começou a ser fabricada. Ela tem textura e sabor parecidos com o do iogurte comum, necessita dos mesmos cuidados de armazenagem e é 30% mais caro. Feito com leite desnatado, também é light e fonte de fibras.
"Não existe no mercado um leite fermentado com um coquetel de benefícios tão grande", afirma o engenheiro-agrônomo Ricardo Pinheiro, que desenvolveu o iogurte durante o seu duplo doutorado, feito na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e na Universidade de Gênova (Itália).
Iogurtes têm naturalmente as bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus, que, juntas, auxiliam quem tem prisão de ventre. Algumas bebidas têm, além dessas, até duas bactérias que, quando administradas vivas e em quantidade adequada, conferem saúde às pessoas (probióticas). O alimento produzido pela USP possui três bactérias probióticas além das comuns a todos iogurtes. Quando elas chegam ao intestino, tomam o espaço e alimento dos microorganismos indesejáveis que lá habitam e os eliminam.
Metabolismo complicado
Para a bebida fazer efeito, é necessário que todas as bactérias cheguem vivas ao intestino e em uma concentração de 10 a 100 milhões de colônias de organismos por mililitro de produto. Por isso, a maior dificuldade em fabricar o iogurte foi conseguir que, em um período de 35 dias, as bactérias não matassem umas às outras ao acidificar a bebida e competir por alimento.
"Manter a quantidade apropriada de bactérias é difícil", diz Pinheiro. "O metabolismo de uma bactéria pode prejudicar outra. As do gênero Bifidobacterium, por exemplo, produzem ácido acético, fatal para os lactobacilos."
Para contornar essas dificuldades, Pinheiro estudou quais nutrientes cada bactéria necessitava e os produtos que excretava quando estavam sozinhas e em conjunto no leite. Concluiu que a melhor solução era adicionar ao iogurte um açúcar chamado inulina, que é fonte de alimento para as bactérias e impede que algumas "morram de fome". Outras soluções foram colocar na bebida quantidades maiores dos microorganismos mais frágeis e envolvê-los com uma goma que os impedia de serem danificadas pelo metabolismo dos outros.
Segundo o pesquisador, o resultado agrada. "O produto é funcional e bastante aceitável ao paladar. Ele é mais caro, porém o benefício que traz é maior."
Fonte: Agência USP de Notícias
Retirado do blog.- metendoobico.blogspot.com
A bebida ainda precisa ser patenteada e não começou a ser fabricada. Ela tem textura e sabor parecidos com o do iogurte comum, necessita dos mesmos cuidados de armazenagem e é 30% mais caro. Feito com leite desnatado, também é light e fonte de fibras.
"Não existe no mercado um leite fermentado com um coquetel de benefícios tão grande", afirma o engenheiro-agrônomo Ricardo Pinheiro, que desenvolveu o iogurte durante o seu duplo doutorado, feito na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e na Universidade de Gênova (Itália).
Iogurtes têm naturalmente as bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus, que, juntas, auxiliam quem tem prisão de ventre. Algumas bebidas têm, além dessas, até duas bactérias que, quando administradas vivas e em quantidade adequada, conferem saúde às pessoas (probióticas). O alimento produzido pela USP possui três bactérias probióticas além das comuns a todos iogurtes. Quando elas chegam ao intestino, tomam o espaço e alimento dos microorganismos indesejáveis que lá habitam e os eliminam.
Metabolismo complicado
Para a bebida fazer efeito, é necessário que todas as bactérias cheguem vivas ao intestino e em uma concentração de 10 a 100 milhões de colônias de organismos por mililitro de produto. Por isso, a maior dificuldade em fabricar o iogurte foi conseguir que, em um período de 35 dias, as bactérias não matassem umas às outras ao acidificar a bebida e competir por alimento.
"Manter a quantidade apropriada de bactérias é difícil", diz Pinheiro. "O metabolismo de uma bactéria pode prejudicar outra. As do gênero Bifidobacterium, por exemplo, produzem ácido acético, fatal para os lactobacilos."
Para contornar essas dificuldades, Pinheiro estudou quais nutrientes cada bactéria necessitava e os produtos que excretava quando estavam sozinhas e em conjunto no leite. Concluiu que a melhor solução era adicionar ao iogurte um açúcar chamado inulina, que é fonte de alimento para as bactérias e impede que algumas "morram de fome". Outras soluções foram colocar na bebida quantidades maiores dos microorganismos mais frágeis e envolvê-los com uma goma que os impedia de serem danificadas pelo metabolismo dos outros.
Segundo o pesquisador, o resultado agrada. "O produto é funcional e bastante aceitável ao paladar. Ele é mais caro, porém o benefício que traz é maior."
Fonte: Agência USP de Notícias
Retirado do blog.- metendoobico.blogspot.com
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Psicanalise e Religião
A questão ¨religião¨ para a psicanálise, não deve ser mais ou menos importante, que outras características de índole cultural e lúdicas, pelo que possuo o entendimento, que existe uma avaliação distorcida da realidade, que conduz por vezes a pronunciamentos, e avaliações incorretas.
A discussão da atualidade é semelhante ao tempo de Freud, muito embora com outro envolvimento e características próprias de cada época.
A questão religiosa sempre afligiu os mais inquietos.
É bom que se diga que o assunto não é de forma alguma irrelevante, para não merecer um estudo e investigação mais detalhada, dado que as opiniões divergentes reinam também no seio dos estudiosos da mente humana.
Freud – Vol. XX – Inibições, sintomas e ansiedade, refere o seguinte :
- Eu próprio atribuí um valor mais elevado a minhas contribuições à psicologia da religião, que começaram com o estabelecimento de marcante similitude entre as práticas religiosas ou ritual (1907b). Sem ainda compreender as ligações mais profundas, descrevi a neurose obsessiva como uma religião particular distorcida e a religião como uma espécie de neurose obsessiva universal.
Freud afirma que as suas contribuições para uma psicologia da religião, partiram de um pressuposto de evidências, não tendo em conta que ela é um derivado de formas e ligações mais profundas, em que os seus escritos de totem e tabu, emergem como derivado da aceitação dessa análise inicial distorcida.
Devemos levar em conta que Freud como idealista da psicanálise, era o navegante que percorria mares nunca antes trilhados, que por isso mesmo estaria sujeito a distorções de análise, que aos poucos foi clarificando.
Estamos em presença de um homem que aceitou errar, que não escondeu que é humano e, que por isso cometeu algumas distorções da realidade, como condição evolutiva de uma determinada idéia.
Devemos perceber nisso um mérito, que confere ao sujeito a honestidade, a clareza e a frontalidade, para dar o dito pelo não dito, dado que algo ainda faltava saber, e que na altura lhe escapou.
Parece descartar em definitivo a hipótese analógica, entre neurose obsessiva e religião, e esta, como sendo uma espécie de neurose obsessiva universal.
O que em princípio era dado a uma forma associativa, foi dissociado, percebendo-se que não existe ligação profunda entre ambas, pelo que passou a tratar a religião como um processo separado, de um qualquer transtorno psíquico por ele motivado.
A meu ver, o parágrafo acima descrito é fundamental, cuja finalidade é tentar entender, não as implicações da religião no psiquismo, mas antes, os motivos que levam o indivíduo a refugiar-se nela.
E se assim entendermos, a religião em si mesmo é um produto irrelevante para análise, que não as suas motivações, estas sim, de suma importância, dado tratar-se de sentidos.
Freud refere de seguida:
- Posteriormente, em 1912, a indicação convincente de Jung das analogias de amplas conseqüências entre os produtos mentais dos neuróticos e dos povos primitivos levou-me a voltar minha atenção para aquele assunto.
. A mitologia tornou-se o domínio especial do Otto Rank; a interpretação dos mitos, sua ligação com os complexos inconscientes familiares da primeira infância, a substituição das explanações astrais por uma descoberta dos motivos humanos, tudo isto em grande medida devido aos seus esforças analíticos.
O simbolismo trouxe para a psicanálise muitos inimigos; muitos indagadores com mentes indevidamente prosaicas jamais foram capazes de perdoar a esta o reconhecimento do simbolismo, que decorreu da interpretação dos sonhos. Mas a análise não tem culpa da descoberta do simbolismo, pois de há muito fora conhecida em outros domínios do pensamento ( tais como o folclore, lendas e mitos) e neles desempenha papel ainda maior do que na ‘linguagem dos sonhos’.
É a partir desse momento que existe uma ruptura com os enunciados anteriores, e predispõem-se a estudar e investigar o que foi proposto por Jung e Otto Rank, o que demonstra de forma inequívoca que estaríamos em presença de um homem, que não partia de certezas absolutas, e estaria disposto a enxergar outras perspectivas, através das quais podia ser observado determinado fenômeno.
Acrescenta Freud :
- Em quatro ensaios, enfeixados num livro com o título de Totem e tabu [1912-13], mostrei que o horror do incesto era ainda mais acentuado entre as raças primitivas do que entre as civilizadas e dera lugar a medidas muito especiais de defesa contra ele. Examinei as relações entre as proibições tabus (a forma mais antiga na qual as restrições morais fazem seu surgimento) e a ambivalência emocional, e descobri sob o esquema primitivo do universo conhecido como ‘animismo’ o princípio da superestimativa da importância da realidade psíquica — a crença ‘na onipotência dos pensamentos’ — que está na raiz da magia também. Desenvolvi a comparação com a neurose obsessiva em todos os pontos, e mostrei quantos dos postulados da vida mental primitiva ainda estão em vigor nessa notável doença.
Deste modo, Freud, coloca de lado os seus escritos e idéias anteriores, para dar ênfase a restrições morais, como provenientes de proibições tabus, que é uma condição primitiva, e por isso anterior ao próprio surgimento da religião.
Parece restarem poucas dúvidas nesse sentido.
Em relação ao estudo do totemismo disse o seguinte:
- Meu ponto de partida foi a impressionante correspondência entre as duas ordenações tabus do totemismo (não matar o totem e não ter relações sexuais com qualquer mulher do mesmo clã do totem) e os dois elementos do complexo de Édipo (livrar-se do pai e tomar a mãe como esposa).
Não consigo ter outra interpretação á luz do que está escrito por Freud, do que a mera correspondência entre o primitivo,e aquilo que deveria ser observado para que o complexo de Édipo não emergisse como ideativo psíquico.
Freud nos diz que esse pensamento primevo do filho, de tomar a mãe como sua esposa, que para tal deve livrar-se do pai, está na contramão de um princípio moral primitivo.
Mas nos diz mais, que tais princípios emergem de ciúmes sentidos em relação ao pai, que possui a mãe, para ele tão querida e amada.
Pelo que sou levado a considerar que existe na realidade uma relação entre pais e filhos, que de acordo com uma série de fatores, pode conduzir o indivíduo ao complexo de Édipo, ou pura e simplesmente o levar a ignorar.
E neste ponto, não podemos fugir ao estudo e investigação da relação objetal, que parece de fato determinar a superação, ou não, do complexo de Édipo.
Para ser mais preciso, é na relação, e através dela, que tende a emergir a complexidade psíquica no ser humano, dando origem a múltiplos derivados e aos sentimentos.
Já não podemos falar de um simples ato reflexo, ação / reação, a partir do momento que se intromete o lado afetivo, como algo incorporado como desejo, mas que de todo é proibido.
Percebemos então a presença do recalque e do recalcamento provocado por uma ordem exterior ao próprio indivíduo, que foi transformada em lei.
Devemos desta forma deduzir, que a formação infantil desde o início, que não mantenha uma atitude firme, de separação de uma idéia incestuosa, poderá conduzir a criança para o complexo de Édipo.
A questão a que devemos dar uma resposta, a podemos encontrar nas atitudes formativas, para que essa idéia não surja na mente da criança.
Deste modo, somos levados a considerar o estudo e investigação acerca de estímulos e zonas erógenas que podem ser estimuladas durante o decorrer da formação infantil, devido á relação entre pais e filhos, que impõem um determinado sentido á criança, transformado em desejo, porque prazeroso.
Parece existir uma diferença a considerar, entre o desejo interior do indivíduo despertado através da relação com os pais, que segue seu rumo no psiquismo, e o recalque posterior a essa idéia, como forma impeditiva de ser consumada.
A inexistência desde princípio, de atitudes que não despertem esse desejo pelo o objeto mãe, é que prioritariamente está em causa.
Devemos considerar segunda esta perspectiva, o que cada um de nós possa entender por autonomia da criança, que é conferida pelos os pais.
Não será difícil perceber a complexidade deste assunto, que decorre de uma visão primeva da existência do ser humano, que tem em conta em essência a forma como são sentidos os diversos fenômenos, a incorporação de um sentido no corpo, e seu desenvolvimento posterior, rumo á intelectualidade.
Freud termina sua análise afirmando:
Lançando um olhar retrospectivo, portanto, ao mosaico que são labores da minha vida, posso dizer que comecei muitas vezes e joguei fora muitas sugestões. Algo surgirá deles no futuro, embora eu mesmo não possa dizer se será muito ou pouco. Posso, contudo, expressar a esperança de que abri um caminho para importante progresso em nossos conhecimentos.
Em O Futuro de uma Ilusão exprimi uma avaliação essencialmente negativa da religião. Depois, encontrei uma fórmula que lhe fazia melhor justiça: embora admitindo que sua força reside na verdade que ela contém, mostrei que a verdade não era uma verdade material mas histórica. [1939a, Ensaio III, Parte II (G).]
A questão fundamental, segundo o meu entender, e, é dessa forma que enxergo a questão da religião, é que ela é devido a fatores circunstanciais, como um modo de vivenciar as coisas e o mundo, de uma forma particular ou coletiva, em que a sua importância deriva de fatores de formação infantil, que se encontram a montante.
E para a psicanálise fatores circunstanciais são derivados de sentidos, e de formas culturais adquiridas, que do mesmo modo são reveladoras de um determinado sentido.
Em conclusão, a questão da existência ou não de Deus, não parece que seja passível de discussão em psicanálise, mas sim a lei do Pai Deus, feito homem, que segundo os costumes do mundo Ocidental, a ela o ser humano deve obediência.
Em última análise, não vejo qualquer evidencia que a religião possa conduzir o ser humano á patologia, dado que não é devida a ela que o ser humano padece de um transtorno psíquico.
A discussão da atualidade é semelhante ao tempo de Freud, muito embora com outro envolvimento e características próprias de cada época.
A questão religiosa sempre afligiu os mais inquietos.
É bom que se diga que o assunto não é de forma alguma irrelevante, para não merecer um estudo e investigação mais detalhada, dado que as opiniões divergentes reinam também no seio dos estudiosos da mente humana.
Freud – Vol. XX – Inibições, sintomas e ansiedade, refere o seguinte :
- Eu próprio atribuí um valor mais elevado a minhas contribuições à psicologia da religião, que começaram com o estabelecimento de marcante similitude entre as práticas religiosas ou ritual (1907b). Sem ainda compreender as ligações mais profundas, descrevi a neurose obsessiva como uma religião particular distorcida e a religião como uma espécie de neurose obsessiva universal.
Freud afirma que as suas contribuições para uma psicologia da religião, partiram de um pressuposto de evidências, não tendo em conta que ela é um derivado de formas e ligações mais profundas, em que os seus escritos de totem e tabu, emergem como derivado da aceitação dessa análise inicial distorcida.
Devemos levar em conta que Freud como idealista da psicanálise, era o navegante que percorria mares nunca antes trilhados, que por isso mesmo estaria sujeito a distorções de análise, que aos poucos foi clarificando.
Estamos em presença de um homem que aceitou errar, que não escondeu que é humano e, que por isso cometeu algumas distorções da realidade, como condição evolutiva de uma determinada idéia.
Devemos perceber nisso um mérito, que confere ao sujeito a honestidade, a clareza e a frontalidade, para dar o dito pelo não dito, dado que algo ainda faltava saber, e que na altura lhe escapou.
Parece descartar em definitivo a hipótese analógica, entre neurose obsessiva e religião, e esta, como sendo uma espécie de neurose obsessiva universal.
O que em princípio era dado a uma forma associativa, foi dissociado, percebendo-se que não existe ligação profunda entre ambas, pelo que passou a tratar a religião como um processo separado, de um qualquer transtorno psíquico por ele motivado.
A meu ver, o parágrafo acima descrito é fundamental, cuja finalidade é tentar entender, não as implicações da religião no psiquismo, mas antes, os motivos que levam o indivíduo a refugiar-se nela.
E se assim entendermos, a religião em si mesmo é um produto irrelevante para análise, que não as suas motivações, estas sim, de suma importância, dado tratar-se de sentidos.
Freud refere de seguida:
- Posteriormente, em 1912, a indicação convincente de Jung das analogias de amplas conseqüências entre os produtos mentais dos neuróticos e dos povos primitivos levou-me a voltar minha atenção para aquele assunto.
. A mitologia tornou-se o domínio especial do Otto Rank; a interpretação dos mitos, sua ligação com os complexos inconscientes familiares da primeira infância, a substituição das explanações astrais por uma descoberta dos motivos humanos, tudo isto em grande medida devido aos seus esforças analíticos.
O simbolismo trouxe para a psicanálise muitos inimigos; muitos indagadores com mentes indevidamente prosaicas jamais foram capazes de perdoar a esta o reconhecimento do simbolismo, que decorreu da interpretação dos sonhos. Mas a análise não tem culpa da descoberta do simbolismo, pois de há muito fora conhecida em outros domínios do pensamento ( tais como o folclore, lendas e mitos) e neles desempenha papel ainda maior do que na ‘linguagem dos sonhos’.
É a partir desse momento que existe uma ruptura com os enunciados anteriores, e predispõem-se a estudar e investigar o que foi proposto por Jung e Otto Rank, o que demonstra de forma inequívoca que estaríamos em presença de um homem, que não partia de certezas absolutas, e estaria disposto a enxergar outras perspectivas, através das quais podia ser observado determinado fenômeno.
Acrescenta Freud :
- Em quatro ensaios, enfeixados num livro com o título de Totem e tabu [1912-13], mostrei que o horror do incesto era ainda mais acentuado entre as raças primitivas do que entre as civilizadas e dera lugar a medidas muito especiais de defesa contra ele. Examinei as relações entre as proibições tabus (a forma mais antiga na qual as restrições morais fazem seu surgimento) e a ambivalência emocional, e descobri sob o esquema primitivo do universo conhecido como ‘animismo’ o princípio da superestimativa da importância da realidade psíquica — a crença ‘na onipotência dos pensamentos’ — que está na raiz da magia também. Desenvolvi a comparação com a neurose obsessiva em todos os pontos, e mostrei quantos dos postulados da vida mental primitiva ainda estão em vigor nessa notável doença.
Deste modo, Freud, coloca de lado os seus escritos e idéias anteriores, para dar ênfase a restrições morais, como provenientes de proibições tabus, que é uma condição primitiva, e por isso anterior ao próprio surgimento da religião.
Parece restarem poucas dúvidas nesse sentido.
Em relação ao estudo do totemismo disse o seguinte:
- Meu ponto de partida foi a impressionante correspondência entre as duas ordenações tabus do totemismo (não matar o totem e não ter relações sexuais com qualquer mulher do mesmo clã do totem) e os dois elementos do complexo de Édipo (livrar-se do pai e tomar a mãe como esposa).
Não consigo ter outra interpretação á luz do que está escrito por Freud, do que a mera correspondência entre o primitivo,e aquilo que deveria ser observado para que o complexo de Édipo não emergisse como ideativo psíquico.
Freud nos diz que esse pensamento primevo do filho, de tomar a mãe como sua esposa, que para tal deve livrar-se do pai, está na contramão de um princípio moral primitivo.
Mas nos diz mais, que tais princípios emergem de ciúmes sentidos em relação ao pai, que possui a mãe, para ele tão querida e amada.
Pelo que sou levado a considerar que existe na realidade uma relação entre pais e filhos, que de acordo com uma série de fatores, pode conduzir o indivíduo ao complexo de Édipo, ou pura e simplesmente o levar a ignorar.
E neste ponto, não podemos fugir ao estudo e investigação da relação objetal, que parece de fato determinar a superação, ou não, do complexo de Édipo.
Para ser mais preciso, é na relação, e através dela, que tende a emergir a complexidade psíquica no ser humano, dando origem a múltiplos derivados e aos sentimentos.
Já não podemos falar de um simples ato reflexo, ação / reação, a partir do momento que se intromete o lado afetivo, como algo incorporado como desejo, mas que de todo é proibido.
Percebemos então a presença do recalque e do recalcamento provocado por uma ordem exterior ao próprio indivíduo, que foi transformada em lei.
Devemos desta forma deduzir, que a formação infantil desde o início, que não mantenha uma atitude firme, de separação de uma idéia incestuosa, poderá conduzir a criança para o complexo de Édipo.
A questão a que devemos dar uma resposta, a podemos encontrar nas atitudes formativas, para que essa idéia não surja na mente da criança.
Deste modo, somos levados a considerar o estudo e investigação acerca de estímulos e zonas erógenas que podem ser estimuladas durante o decorrer da formação infantil, devido á relação entre pais e filhos, que impõem um determinado sentido á criança, transformado em desejo, porque prazeroso.
Parece existir uma diferença a considerar, entre o desejo interior do indivíduo despertado através da relação com os pais, que segue seu rumo no psiquismo, e o recalque posterior a essa idéia, como forma impeditiva de ser consumada.
A inexistência desde princípio, de atitudes que não despertem esse desejo pelo o objeto mãe, é que prioritariamente está em causa.
Devemos considerar segunda esta perspectiva, o que cada um de nós possa entender por autonomia da criança, que é conferida pelos os pais.
Não será difícil perceber a complexidade deste assunto, que decorre de uma visão primeva da existência do ser humano, que tem em conta em essência a forma como são sentidos os diversos fenômenos, a incorporação de um sentido no corpo, e seu desenvolvimento posterior, rumo á intelectualidade.
Freud termina sua análise afirmando:
Lançando um olhar retrospectivo, portanto, ao mosaico que são labores da minha vida, posso dizer que comecei muitas vezes e joguei fora muitas sugestões. Algo surgirá deles no futuro, embora eu mesmo não possa dizer se será muito ou pouco. Posso, contudo, expressar a esperança de que abri um caminho para importante progresso em nossos conhecimentos.
Em O Futuro de uma Ilusão exprimi uma avaliação essencialmente negativa da religião. Depois, encontrei uma fórmula que lhe fazia melhor justiça: embora admitindo que sua força reside na verdade que ela contém, mostrei que a verdade não era uma verdade material mas histórica. [1939a, Ensaio III, Parte II (G).]
A questão fundamental, segundo o meu entender, e, é dessa forma que enxergo a questão da religião, é que ela é devido a fatores circunstanciais, como um modo de vivenciar as coisas e o mundo, de uma forma particular ou coletiva, em que a sua importância deriva de fatores de formação infantil, que se encontram a montante.
E para a psicanálise fatores circunstanciais são derivados de sentidos, e de formas culturais adquiridas, que do mesmo modo são reveladoras de um determinado sentido.
Em conclusão, a questão da existência ou não de Deus, não parece que seja passível de discussão em psicanálise, mas sim a lei do Pai Deus, feito homem, que segundo os costumes do mundo Ocidental, a ela o ser humano deve obediência.
Em última análise, não vejo qualquer evidencia que a religião possa conduzir o ser humano á patologia, dado que não é devida a ela que o ser humano padece de um transtorno psíquico.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Passagem
Se ao passar deixarmos um rasto de luz que perdure, já será suficiente.
Dada a nossa pequenez, nada mais podemos desejar.
Dada a nossa pequenez, nada mais podemos desejar.
A revelação
Poema de Kenia Naves
Agradeço o envio de seu poema, a que decidi dar o nome - A revelação.
A revelação
A subida ao sótão realizei
Os arquivos ocultos da história resgatei
Para minha identidade recuperar
Difícil foi a subida
Mais difícil foi abrir a porta
Cruel foi olhar o que existe
Reconhecer a verdade.
Quanta fantasia criei
Para a vida mais doce se tornar
Um caminho perfeito
Com castelos e jardins floridos.
Mera ilusão
A realidade é mais dura
A vida era repleta de traças e cupins
Consumida pela dor e solidão.
Agora só resta perdoar
Romper com o passado
Olhar para a frente
E (re) significar.
Recomeçar, recompor
Renovar, refazer
Reaprender a ouvir, falar, sonhar.
Abandonar as trevas e a tristeza
voltar a sorrir
Tentar ser feliz.
Agradeço o envio de seu poema, a que decidi dar o nome - A revelação.
A revelação
A subida ao sótão realizei
Os arquivos ocultos da história resgatei
Para minha identidade recuperar
Difícil foi a subida
Mais difícil foi abrir a porta
Cruel foi olhar o que existe
Reconhecer a verdade.
Quanta fantasia criei
Para a vida mais doce se tornar
Um caminho perfeito
Com castelos e jardins floridos.
Mera ilusão
A realidade é mais dura
A vida era repleta de traças e cupins
Consumida pela dor e solidão.
Agora só resta perdoar
Romper com o passado
Olhar para a frente
E (re) significar.
Recomeçar, recompor
Renovar, refazer
Reaprender a ouvir, falar, sonhar.
Abandonar as trevas e a tristeza
voltar a sorrir
Tentar ser feliz.
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