Eram três da madrugada, o telefone tocou, o que àquele hora é sempre motivo de preocupação, um mau prenúncio, a não ser que alguém tenha ligado por engano.
Atendi o telefonema, e dei conta de uma mulher a chorar convulsivamente, muito embora não conseguisse perceber o que dizia, lhe reconheci a voz.
Era a D.Irene, esposa de meu pai, que não minha mãe, que falecera muito tempo atrás, a dar-me notícia do seu internamento urgente no Hospital de Abrantes, centro de Portugal, em estado de coma.
Pedi que mantivesse alguma tranqüilidade, que eu iria de imediato ao hospital para saber o que se estava a passar.
No dia anterior tinha passado por sua casa, estava de cama adoentado, e no meio da nossa conversa disse alguma coisa, que não fazia sentido, retomando de imediato o diálogo que estávamos a ter.
Agora percebi, que aquela frase curta, que não fazia sentido, seria, embora momentâneo, o inicio de um estado alterado de lucidez, anunciando o coma.
Tentei culpar-me por não me ter apercebido do que estava a acontecer, mas não havia tempo para lamentações, porque a hora era difícil, exigia de mim toda a energia para dar os passos necessários para inteirar-me da situação clínica em que meu pai se encontrava.
Deixei a casa aos cuidados da mãe de meus filhos, então minha esposa, e coloquei os pés a caminho, dado que a jornada era longa, e teria ainda de percorrer cento e cinqüenta quilômetros até chegar ao hospital.
È nestas ocasiões, que nos apercebemos da importância de ter um automóvel á porta de casa, e lá fui com destino marcado, com lágrimas nos olhos, pensando que desta vez seria difícil meu pai escapar da morte.
Durante o percurso tentei mentalizar-me, que a vida é assim mesmo, que um dia estaremos nós na mesma situação, ente a vida e a morte, á espera de ficarmos fechados dentro de quatro tábuas com um balde de cal despejado na barriga, para mais depressa apodrecer, porque outros estão na fila de espera, e o terreno do cemitério é escasso.
Mas como em situações difíceis existe sempre um restinho de esperança do quase morto retornar á vida, a idéia de vez em quando me assaltava , talvez por necessidade de tranqüilizar a minha angústia e tristeza.
No entanto existia um passado recente de luta contra um câncer da próstata, com metástases ósseas, em que o valente resistiu, muito embora com dores horríveis e sofrimento, ao ponto do seu processo de recuperação espantar os médicos, que não acreditavam no que estava acontecer.
Cheguei ao hospital por volta das cinco horas da manhã.
Tudo á meia luz, no meio de um silêncio absoluto, sem que uma alma viva estivesse presente, entrei pelos corredores da morte à espera de encontrar meu pai com vida, cuja intenção seria dar-lhe a mão, e dizer-lhe, estou contigo.
Devo confessar que estas poucas linhas me emocionam profundamente, coisa que não sinto ao escrever as minhas memórias da guerra colonial, em que o afeto fala sempre mais alto que os próprios acontecimentos.
Não era a morte que temia, mas a ausência física de meu pai.
Não era a morte que temia, mas as suas palavras amigas.
Não era a morte que temia, mas a alegria de o ter vivo, e de partilhar consigo alguns momentos.
Encontrei o médico de plantão, e tentei inteirar-me do seu estado de saúde.
- Seu pai está em coma. Agora está nas mãos de Deus.
Estaria nas mãos daquele em que não acreditava que existisse.
Agradeci ao médico a informação, sai do hospital pensativo, e com um aperto no peito, com a missão espinhosa de amparar a mulher que chorava por ele, a tentando preparar para a morte.
As histórias que contamos para tentar consolar o outro, e a nós mesmos, são sempre as mesmas.
A vida é assim mesmo, mão tem volta a dar, é preciso ser forte nas horas difíceis, blá, blá, blá.
com uma vontade enorme de chorar com ela, deveria resistir para que o quadro não ficasse tão negro.
D.Irene, temos que nos preparar, ser forte, porque desta será muito provável que não possa escapar.
Mulher dedicada, mas sempre preocupada em excesso, negativa, mas boa senhora, derramou as últimas lágrimas de uma noite assombrada pelo o fantasma da morte, em que a solidão da viuvez decerto também a atormentava.
Entretanto já era dia, sete horas de uma manhã amena de Verão, deixei a D.Irene, desta feita acompanhada por gente amiga, e retornei ao hospital, cuja intenção seria tentar ver, e estar com meu pai.
Encontrei um enfermeiro amigo de infância, contei o que se estava a passar, pedi que me informasse da situação clinica atual, sem paninhos quentes.
O meu amigo Catarino lá foi aos cuidados intensivos para se aperceber do estado de meu pai, enquanto eu fumava um cigarro, e tentava preparar-me para o pior.
Naqueles breves instantes, que parecem uma eternidade, tudo rola na cabeça, num mar de dúvidas, de incertezas,, cujo fim não desejamos.
Amor de filho é muito forte, pelo menos no meu caso, que sempre a voz firme do comandante se fazia ouvir, bem como o afeto de um companheiro de jornada.
Passado algum tempo o Catarino regressou, e disparou sem mais nem menos:
- O que se passou com o teu pai ?
Julguei que não tinha percebido o que lhe havia dito anteriormente, ou com a aflição nem sequer teria contado o estado de coma em que se encontrava.
-Estive com ele, pareceu-me bem disposto, pelo menos sorridente estava.
Não contive as lágrimas, abracei o Catarino, agradeci o favor, e preparei-me para o ir ver.
Dei algum tempo a mim próprio na tentativa de recuperar alguma tranqüilidade.
Entrei nos cuidados intensivos com um leve sorriso nos lábios, como sinal de esperança, que a vida ainda não tinha terminado para nós dois, cuja finalidade seria sentir, que não estava sozinho, de alguma forma protegido, dado que o afeto se traduz através de um apoio incondicional nas horas mais difíceis.
- Então pão, o que aconteceu ?
- Com um sorriso nos lábios, disse:
- :Morri, mas estou de volta. Morrer não custa nada.
Era sempre assim realista, sem denguices, com o sentido da vida, sem lágrimas, angústia e tristeza, encarando as adversidades da doença, os problemas do dia a dia, e até a própria morte. Só pedia uma morte ¨santa ¨, porque as dores provocadas pelo o câncer foram horríveis, insuportáveis, a ponto de me pedir para o matar.
- Desta já me safei, disse ele. A sorte de um homem é escapar.
Nada de dramatismo, de coitadinho.
- Enquanto dormia o sono da morte, vi uma luz no fundo de um túnel.
Meu pai tinha tido uma experiência de quase morte, mas nem sequer parecia um pouco afetado por isso .
- Deixei-me ficar e não a quis seguir, disse ele.
- Mais tarde, não sei se voltou a ver essa luz, mas comunicou o propósito de partir, em virtude de a vida já não fazer sentido para ele, e trinta dias depois o acompanhei á sua última morada.
Que descanse em paz meu pai.
Lembrei-me de Einstein e da sua teoria da relatividade, em que a velocidade da luz nos faz navegar em outras galáxias.
Será a vida as trevas, o lado escuro e estranho do universo ?
sábado, 19 de março de 2011
Experiência de quase morte
quinta-feira, 17 de março de 2011
Projeção da consciência !!!
Psicoanalizare: Projeção da consciência !!!: "Projeção da consciência forçada, compulsória, patológica ? O que é isso ? Consciência, será o ato a partir do qual o indivíduo toma sentid..."
quarta-feira, 16 de março de 2011
A alma criadora
Em nenhum dos meus escritos afirmo, que aquilo que exponho é a verdade, até porque outras verdades passeiam por outras mentes, que faria da minha verdade, a mentira. Assim a verdadeira ciência não existe. O que damos conta é do estudo e investigação acerca de fenômenos físicos e mentais, que nos podem porventura conduzir mais próximo da verdade em relação aos fatos, que possam contribuir para a existência dos fenômenos. É freqüente ler, que a verdadeira ciência disto, ou daquilo, é aquela que tais senhores se arrogam no direito de divulgar, como portadores de um saber absoluto, deixando para os outros o papel da ignorância.
Quando assim rezam, não estamos perante humanos, mas de algo mágico,possuídos por poderes especiais, sobrenaturais, que detêm o poder de curar a alma humana. Que assim seja. Dizia eu, que são os fatos relacionados, que levam ao fenômeno, e não o fenômeno, que explicam os fatos anteriores. Eles decerto devem ter uma outra explicação. Os fenômenos podem ser da ordem social, religiosa, ou política, mas em todos eles podemos perceber o dedo do ser humano, que se encontra na ordem do psicológico. Se estivermos de acordo com o descrito, não nos custa entender, que tais organizações só são possíveis através da componente humana. O mesmo será afirmar, que sem a existência humana, tais formas de organização não teriam seu lugar.
Abstraindo um pouco da idéia de que existe a necessidade de o ser humano estar organizado segundo essas ordens, que não merece discussão, o que é dado ao humano está colocado segundo uma ordem física e química, em que a psique desempenha o papel de intermediário entre o mundo interior e exterior ao seu próprio corpo. Significa, que não parece que seja possível discutir o social, religioso, e político, sem de fato levar em conta a forma de organização de um ser vivo, chamado ser humano. Assim, devemos admitir, que antes de surgirem tais organizações na vida de um ser humano,este está organizado segundo uma condição material, genética / biológica.
Descansem aqueles, que esperam destes escritos a prova de existência, seja do que for,assim como do contrário, porque isso seria ferir de morte o que no princípio do texto afirmei, de que não existe a verdade, ou se ela existe,carece de prova, que nenhum de nós parece possuir.
Deixemo-nos então navegar pelo o mar das incertezas, mas tentando desbravar mares nunca antes navegados rumo a uma possível verdade, e veremos, que a cada momento nos deparamos com uma suposta verdade, que questionamos, e nos impulsiona de novo ao caminho. A resultante parece ser uma: - Na realidade perseguimos a verdade, que a cada momento nos parece fugir, faltando sempre qualquer coisa para se constituir em verdade absoluta. Procuramos incessantemente a verdade, mas nunca a encontramos, e do que damos conta são restos de uma verdade, que se encontra, não além, mas aquém de qualquer fenômeno. O segundo ponto importante: - Procurar no além é pura perda de tempo, dado que o ato criador encontra-se aquém de todo, e qualquer fenômeno sentido, ou observado.
Quando assim rezam, não estamos perante humanos, mas de algo mágico,possuídos por poderes especiais, sobrenaturais, que detêm o poder de curar a alma humana. Que assim seja. Dizia eu, que são os fatos relacionados, que levam ao fenômeno, e não o fenômeno, que explicam os fatos anteriores. Eles decerto devem ter uma outra explicação. Os fenômenos podem ser da ordem social, religiosa, ou política, mas em todos eles podemos perceber o dedo do ser humano, que se encontra na ordem do psicológico. Se estivermos de acordo com o descrito, não nos custa entender, que tais organizações só são possíveis através da componente humana. O mesmo será afirmar, que sem a existência humana, tais formas de organização não teriam seu lugar.
Abstraindo um pouco da idéia de que existe a necessidade de o ser humano estar organizado segundo essas ordens, que não merece discussão, o que é dado ao humano está colocado segundo uma ordem física e química, em que a psique desempenha o papel de intermediário entre o mundo interior e exterior ao seu próprio corpo. Significa, que não parece que seja possível discutir o social, religioso, e político, sem de fato levar em conta a forma de organização de um ser vivo, chamado ser humano. Assim, devemos admitir, que antes de surgirem tais organizações na vida de um ser humano,este está organizado segundo uma condição material, genética / biológica.
Descansem aqueles, que esperam destes escritos a prova de existência, seja do que for,assim como do contrário, porque isso seria ferir de morte o que no princípio do texto afirmei, de que não existe a verdade, ou se ela existe,carece de prova, que nenhum de nós parece possuir.
Deixemo-nos então navegar pelo o mar das incertezas, mas tentando desbravar mares nunca antes navegados rumo a uma possível verdade, e veremos, que a cada momento nos deparamos com uma suposta verdade, que questionamos, e nos impulsiona de novo ao caminho. A resultante parece ser uma: - Na realidade perseguimos a verdade, que a cada momento nos parece fugir, faltando sempre qualquer coisa para se constituir em verdade absoluta. Procuramos incessantemente a verdade, mas nunca a encontramos, e do que damos conta são restos de uma verdade, que se encontra, não além, mas aquém de qualquer fenômeno. O segundo ponto importante: - Procurar no além é pura perda de tempo, dado que o ato criador encontra-se aquém de todo, e qualquer fenômeno sentido, ou observado.
domingo, 13 de março de 2011
Políticos à rasca
Exemplar direito à indignação
por Pedro Correia
José Pacheco Pereira - o novo herói da Direcção-Geral da Propaganda - proclamou ontem,abrupto, o seu imenso nojo pela cobertura jornalística das manifestações pacíficas que levaram às ruas cerca de 300 mil pessoas de todas as idades, em várias cidades - a maior iniciativa do género em Portugal, não enquadrada por estados-maiores partidários nem caudilhos sindicais. O que tinha o ilustre pensador a proclamar sobre o assunto? Apenas isto: «Voltou-se ao PREC e aos comícios em directo.» Eis um raciocínio de uma profundidade esmagadora...
Estive na manifestação de Lisboa, sei do que falo: não houve exagero no que se disse, no que se mostrou e no que se escreveu. Não foi o desfile de arruaceiros que muitas bempensâncias previam, nos jornais e nos blogues. Não foi um palco para se exibirem extremismos de várias cores, como algumas aves agoirentas chegaram a vaticinar, em letra impressa ou na pantalha. Nem foi a marcha de "antidemocratas e niilistas" que Mário Soares temia, já esquecido do "direito à indignação" de outros tempos.
Foi, isso sim, uma exemplar demonstração de civismo. E um vigoroso cartão amarelo exibido não só ao Governo mas à generalidade da classe política - uma espécie de clube muito reservado, cujos membros se esgotam nos rituais da pequena intriga, contra adversários e correligionários, indiferentes ao pulsar da sociedade. Pessoas cuja opinião varia em função das conveniências tácticas de circunstância. Pessoas como o deputado Pacheco Pereira, em tempos um dos mais ferozes inimigos do bloco central e que ontem, na página de opinião de que dispõe no Público, apregoava os méritos de um entendimento entre o PS e o PSD (com o CDS a reboque) como "única saída democrática para a nossa crise".Dias depois de ter advogado que o Governo de José Sócrates "deve cumprir a legislatura toda até 2013".
De uma coerência arrasadora: Pacheco certamente continuará a merecer honras de citação da Direcção-Geral da Propaganda. O que diz muito sobre o espírito do tempo. Hei-de sentar-me num banco do jardim de Santo Amaro a meditar sobre o assunto.
tags: crise, pacheco pereira, pc, portugal
Fonte - http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/
NB - Será que ainda não deu para perceber. que a falta de confiança ma classe política. tende a unir as pessoas,porque mão têm quem as defenda ?
É populismo, apresenta vários perigos, mas é um meio de responder à agressão, e aos devaneios de uma classe política, que não parece ter capacidade para estar à frente dos destinos da nação.
As pessoas colocados fora do rebanho parecem meter aos políticos.
Porque será ?
por Pedro Correia
José Pacheco Pereira - o novo herói da Direcção-Geral da Propaganda - proclamou ontem,abrupto, o seu imenso nojo pela cobertura jornalística das manifestações pacíficas que levaram às ruas cerca de 300 mil pessoas de todas as idades, em várias cidades - a maior iniciativa do género em Portugal, não enquadrada por estados-maiores partidários nem caudilhos sindicais. O que tinha o ilustre pensador a proclamar sobre o assunto? Apenas isto: «Voltou-se ao PREC e aos comícios em directo.» Eis um raciocínio de uma profundidade esmagadora...
Estive na manifestação de Lisboa, sei do que falo: não houve exagero no que se disse, no que se mostrou e no que se escreveu. Não foi o desfile de arruaceiros que muitas bempensâncias previam, nos jornais e nos blogues. Não foi um palco para se exibirem extremismos de várias cores, como algumas aves agoirentas chegaram a vaticinar, em letra impressa ou na pantalha. Nem foi a marcha de "antidemocratas e niilistas" que Mário Soares temia, já esquecido do "direito à indignação" de outros tempos.
Foi, isso sim, uma exemplar demonstração de civismo. E um vigoroso cartão amarelo exibido não só ao Governo mas à generalidade da classe política - uma espécie de clube muito reservado, cujos membros se esgotam nos rituais da pequena intriga, contra adversários e correligionários, indiferentes ao pulsar da sociedade. Pessoas cuja opinião varia em função das conveniências tácticas de circunstância. Pessoas como o deputado Pacheco Pereira, em tempos um dos mais ferozes inimigos do bloco central e que ontem, na página de opinião de que dispõe no Público, apregoava os méritos de um entendimento entre o PS e o PSD (com o CDS a reboque) como "única saída democrática para a nossa crise".Dias depois de ter advogado que o Governo de José Sócrates "deve cumprir a legislatura toda até 2013".
De uma coerência arrasadora: Pacheco certamente continuará a merecer honras de citação da Direcção-Geral da Propaganda. O que diz muito sobre o espírito do tempo. Hei-de sentar-me num banco do jardim de Santo Amaro a meditar sobre o assunto.
tags: crise, pacheco pereira, pc, portugal
Fonte - http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/
NB - Será que ainda não deu para perceber. que a falta de confiança ma classe política. tende a unir as pessoas,porque mão têm quem as defenda ?
É populismo, apresenta vários perigos, mas é um meio de responder à agressão, e aos devaneios de uma classe política, que não parece ter capacidade para estar à frente dos destinos da nação.
As pessoas colocados fora do rebanho parecem meter aos políticos.
Porque será ?
Portugal - Um País à rasca
Protesto
Um país à rasca: todos ao protesto (SAPO)
Numa manifestação que se queria que juntasse todos, vieram mesmo todos. Vieram aqueles que são o retrato fiel desta geração à rasca, vieram também os pais, as mulheres, os estudantes, até os anarquistas e o novo partido dos Animais.
Um país à rasca: todos ao protesto (SAPO)
Numa manifestação que se queria que juntasse todos, vieram mesmo todos. Vieram aqueles que são o retrato fiel desta geração à rasca, vieram também os pais, as mulheres, os estudantes, até os anarquistas e o novo partido dos Animais.
Eu e Meu Medo.: O MUNDO ESTA ACABANDO? OU É SÓ BURRICE HUMANA?
Eu e Meu Medo.: O MUNDO ESTA ACABANDO? OU É SÓ BURRICE HUMANA?: " É surpreendente imaginar que as pessoas estejam assustadas e sobressaltadas com o que esta acontecendo pelo mundo! É algo tão si..."
quarta-feira, 9 de março de 2011
O que move os ditadores
quarta-feira, 9 de março de 2011-Blog.metendoobico.blogspot.com
O ser humano parece ser facilmente seduzido pelo poder
Neste início de ano as revoltas populares, contra ditadores e governos totalitários, têm tomado as manchetes. Parece um ciclo que se repete, pois muitos desses ditadores chegaram ao poder através de golpes militares ou então revoltas populares. Parece comum alguns líderes desse tipo de movimento almejarem, não a libertação do povo, mas sim o cargo de comandante da nação.
O ser humano parece ser facilmente seduzido pelo poder. Afinal são muitos os casos de líderes populares que defendem sua classe, pregam ideologias de igualdade, mas quando assumem algum cargo pisam sobre tudo aquilo que defenderam. Mas é compreensível, afinal a medida do mundo para o sucesso é o poder, e este poder é almejado para exercer domínio, e este domínio a fim de obter ganhos, sempre relacionados a glória e prazer pessoais. O poder transforma os homens. E, no conjunto dessas histórias, como as que estão se desenrolando atualmente, normalmente temos líderes revoltosos e governos estrangeiros que dizem querer o respeito aos direitos humanos e a libertação da população.
Nos casos atuais, muitos desses ditadores eram apoiados, pois seus países eram considerados ditaduras estáveis. Nesse momento os EUA, por exemplo, não defendiam ou usavam sua influência para promover a democracia.
Mas a partir de determinado momento decidiram avalizar as reivindicações democráticas. Não foi isso que aconteceu no Iraque? E o que mudou para o povo? A realidade que os iraquianos vivem hoje é diferente do tempo de Saddan? Na Líbia se desenha um processo sangrento. Kadhafi é um militar que chegou ao poder há 42 anos. Era próximo de Berlusconi e Tony Blair. Mas agora é um louco que se vê sozinho. As ideologias, os apoios, são na verdade um emaranhado de interesses onde os reais interessados, o povo, são marionetes.
A política exterior dos Estados Unidos conta com um extenso histórico de instalar, financiar, armar e apoiar regimes ditatoriais que respaldam suas políticas e interesses, sempre mantendo controle sobre seus povos. Historicamente tem sido assim. Quando os levantes populares desafiaram as ditaduras respaldadas pelos EUA e parecia provável uma revolução social e política, responderam com práticas demagógicas. Criticavam publicamente as violações dos direitos humanos e defendiam reformas democráticas, ao mesmo tempo em que indicavam de maneira privada a manutenção do apoio ao governante, e também buscavam uma alternativa que pudesse substituir quem estivesse no cargo, conservando o sistema econômico e o apoio aos seus interesses estratégicos.
Para os Estados Unidos não há relações estratégicas, somente interesses permanentes. E com isso até os ditadores se tornam marionetes, pois tem a falsa impressão de manterem relações estratégicas com a maior potência mundial.
Então de que adiantam os levantes populares, se depois de um processo de reconstrução, e de um clima de falsa liberdade, as coisas voltam ao normal, com as riquezas petrolíferas sendo mal distribuídas, o povo numa condição miserável e o poder na mão de governantes inescrupulosos.
Talvez alguém se pergunte: mas o que nós, brasileiros, temos com isso? Porque antes de sermos brasileiros, iraquianos ou americanos, somos humanos, e isso ultrapassa fronteiras físicas e ideológicas. O ser humano é daninho, e normalmente almeja o que condena. Os acontecimentos atuais se repetem em ciclos, e tudo isso movido por um só combustível.
Não a igualdade ou a democracia, nem mesmo a preocupação com seus semelhantes. O povo quer melhores condições de vida, se une pra isso, enfrenta a morte, mas os líderes e apoiadores dessas movimentações muitas vezes são movidos pela cobiça e ambição. Interessante ainda é que em alguns casos a camuflagem dos reais interesses chega a ser tão bem elaborada e sofisticada que conseguem enganar a si próprios, enxergando-se honestos e autênticos para consigo próprios enquanto, no fundo, alimentam apetites egoístas e arrogantes. Começam mal suas trajetórias, e quando assumem o poder nada mais fazem do que repetir, a seu modo, o estilo de governar de seu antecessor.
E assim caminha a humanidade.
por: Ivanor Oliviecki .
O ser humano parece ser facilmente seduzido pelo poder
Neste início de ano as revoltas populares, contra ditadores e governos totalitários, têm tomado as manchetes. Parece um ciclo que se repete, pois muitos desses ditadores chegaram ao poder através de golpes militares ou então revoltas populares. Parece comum alguns líderes desse tipo de movimento almejarem, não a libertação do povo, mas sim o cargo de comandante da nação.
O ser humano parece ser facilmente seduzido pelo poder. Afinal são muitos os casos de líderes populares que defendem sua classe, pregam ideologias de igualdade, mas quando assumem algum cargo pisam sobre tudo aquilo que defenderam. Mas é compreensível, afinal a medida do mundo para o sucesso é o poder, e este poder é almejado para exercer domínio, e este domínio a fim de obter ganhos, sempre relacionados a glória e prazer pessoais. O poder transforma os homens. E, no conjunto dessas histórias, como as que estão se desenrolando atualmente, normalmente temos líderes revoltosos e governos estrangeiros que dizem querer o respeito aos direitos humanos e a libertação da população.
Nos casos atuais, muitos desses ditadores eram apoiados, pois seus países eram considerados ditaduras estáveis. Nesse momento os EUA, por exemplo, não defendiam ou usavam sua influência para promover a democracia.
Mas a partir de determinado momento decidiram avalizar as reivindicações democráticas. Não foi isso que aconteceu no Iraque? E o que mudou para o povo? A realidade que os iraquianos vivem hoje é diferente do tempo de Saddan? Na Líbia se desenha um processo sangrento. Kadhafi é um militar que chegou ao poder há 42 anos. Era próximo de Berlusconi e Tony Blair. Mas agora é um louco que se vê sozinho. As ideologias, os apoios, são na verdade um emaranhado de interesses onde os reais interessados, o povo, são marionetes.
A política exterior dos Estados Unidos conta com um extenso histórico de instalar, financiar, armar e apoiar regimes ditatoriais que respaldam suas políticas e interesses, sempre mantendo controle sobre seus povos. Historicamente tem sido assim. Quando os levantes populares desafiaram as ditaduras respaldadas pelos EUA e parecia provável uma revolução social e política, responderam com práticas demagógicas. Criticavam publicamente as violações dos direitos humanos e defendiam reformas democráticas, ao mesmo tempo em que indicavam de maneira privada a manutenção do apoio ao governante, e também buscavam uma alternativa que pudesse substituir quem estivesse no cargo, conservando o sistema econômico e o apoio aos seus interesses estratégicos.
Para os Estados Unidos não há relações estratégicas, somente interesses permanentes. E com isso até os ditadores se tornam marionetes, pois tem a falsa impressão de manterem relações estratégicas com a maior potência mundial.
Então de que adiantam os levantes populares, se depois de um processo de reconstrução, e de um clima de falsa liberdade, as coisas voltam ao normal, com as riquezas petrolíferas sendo mal distribuídas, o povo numa condição miserável e o poder na mão de governantes inescrupulosos.
Talvez alguém se pergunte: mas o que nós, brasileiros, temos com isso? Porque antes de sermos brasileiros, iraquianos ou americanos, somos humanos, e isso ultrapassa fronteiras físicas e ideológicas. O ser humano é daninho, e normalmente almeja o que condena. Os acontecimentos atuais se repetem em ciclos, e tudo isso movido por um só combustível.
Não a igualdade ou a democracia, nem mesmo a preocupação com seus semelhantes. O povo quer melhores condições de vida, se une pra isso, enfrenta a morte, mas os líderes e apoiadores dessas movimentações muitas vezes são movidos pela cobiça e ambição. Interessante ainda é que em alguns casos a camuflagem dos reais interesses chega a ser tão bem elaborada e sofisticada que conseguem enganar a si próprios, enxergando-se honestos e autênticos para consigo próprios enquanto, no fundo, alimentam apetites egoístas e arrogantes. Começam mal suas trajetórias, e quando assumem o poder nada mais fazem do que repetir, a seu modo, o estilo de governar de seu antecessor.
E assim caminha a humanidade.
por: Ivanor Oliviecki .
Marcadores:
Falemos claro
Assinar:
Postagens (Atom)

