Fragmento é uma parte de um corpo, que estaria inteiro num determinado momento.
Fragmento é uma, ou diversas partículas, que uma vez desligado de um corpo, passa a constituir um outro corpo, embora com características semelhantes.
Perante a idéia da fragmentação, temos a sensação que algo pode cair em pedaços, estilhar-se, partir-se, destruir-se, como a visão extrema de um fenómeno, que também pode ser processado de forma extremamente lenta, progressiva e tranquila.
Fragmentar é dissociar, em que uma das partes foi constituída de forma autónoma em relação a determinado corpo, que pode dar-se de diversas maneiras obedecendo a determinados princípios.
Quais serão ?
Lembremo-nos por exemplo, que o fogo produzido por um pau de fósforo, ou o incêndio que podemos observar numa mata, tem a mesma origem fenomenológica, embora nas suas devidas proporções, em que no primeiro caso nos é garantida a sensação de controle, e no segundo caso entramos em aflição, porque temos a noção da nossa pequenez, perante um fenómeno grandioso, que temos alguma dificuldade em controlar.
O ser vivo de acordo com sua própria estrutura apresenta limites na relação com os objetos exteriores, e os fenómenos daí decorrentes.
Entre as espécies tal pode ser observado, mas também entre os indivíduos que a constituem nos é dado a perceber diferenças evidentes, pelo que devemos considerar a existência de características genéricas e particulares, que são inerentes a qualquer ser vivo.
Evidenciam-se as particularidades como a forma periférica que é dada a relação com as coisas e o mundo exterior, e as generalidades, como a essência de um corpo, que contém em si mesmo a vida, que obedece a determinados princípios biológicos, e a forças energéticas universais.
Tais particulares, designo de circunstanciais, dado que são adquiridas através de uma relação posterior á própria existência do corpo, que variam de acordo com o meio ambiente em que está inserido.
A questão que se levanta de seguida, é que as circunstâncias, uma vez e outra experimentadas, devido a um processo de repetição, tendem a ser incorporadas, constituindo um novo sentido, instinto secundário, em que passa a existir uma vontade de poder interior sentida, servindo-se das mesmas condições energéticas do corpo.
Tal fenómeno constitui a base da formação do que designamos por inconsciente.
Em última análise, o sentido será o fragmento de um corpo energético.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Fragmentação
Marcadores:
Psicanalise
domingo, 12 de setembro de 2010
Crianças rejeitadas
- Curitiba – cursos para adoção de crianças.
Grande reportagem da Globo, 03-Set.2010-divulgou um trabalho na cidade de Curitiba, cursos para os adultos que pretendem adotar crianças que estão em abrigos, que conseguiu reduzir a zero a taxa de rejeição.
Um dos meninos que fora rejeitado pela família adotiva, e que hoje está perfeitamente integrado num outro núcleo familiar, a chorar declarou perante as câmaras da TV :
- Que teria eu de errado, para ser rejeitado.
Foi, para mim, um momento de grande emoção, sabendo que estas crianças já foram vítimas de abandono por parte de seus pais biológicos, sentem-se como cachorros em abrigos, dos quais desejam sair, cuja intenção é encontrar a paz e a tranquilidade num ambiente familiar que os possa acolher.
Segundo as estatísticas, nos abrigos encontram-se 5.000 crianças á espera de uma nova família.
Espero sinceramente que estes cursos possam ser alargados ao pré-natal.
Todos os dias somos confrontados com o abandono de crianças recém nascidas, e o que é pior, algumas despedaçadas na lixeira, que pagaram com a vida, a ousadia de terem nascido.
Grande reportagem da Globo, 03-Set.2010-divulgou um trabalho na cidade de Curitiba, cursos para os adultos que pretendem adotar crianças que estão em abrigos, que conseguiu reduzir a zero a taxa de rejeição.
Um dos meninos que fora rejeitado pela família adotiva, e que hoje está perfeitamente integrado num outro núcleo familiar, a chorar declarou perante as câmaras da TV :
- Que teria eu de errado, para ser rejeitado.
Foi, para mim, um momento de grande emoção, sabendo que estas crianças já foram vítimas de abandono por parte de seus pais biológicos, sentem-se como cachorros em abrigos, dos quais desejam sair, cuja intenção é encontrar a paz e a tranquilidade num ambiente familiar que os possa acolher.
Segundo as estatísticas, nos abrigos encontram-se 5.000 crianças á espera de uma nova família.
Espero sinceramente que estes cursos possam ser alargados ao pré-natal.
Todos os dias somos confrontados com o abandono de crianças recém nascidas, e o que é pior, algumas despedaçadas na lixeira, que pagaram com a vida, a ousadia de terem nascido.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Deus é mulher
Por mais que os machões evidenciem seu corpo sarado, toquem o trombone da fanfarronice da superioridade, em que o poder parece estar na posse da fêmea, ou do dinheiro, que vem dar no mesmo, não conseguem disfarçar a sua fraqueza, perante a ¨ endeuzada ¨, mulher, que os atenta, e os tenta proteger debaixo de suas saias, para que não cometam tantas atrocidades e loucuras.
Vem a isto a propósito de uma cena inusitada num palco de guerra, Israelitas / Palestinos, em que um grupo de mulheres, de um, e do outro lado do conflito, contrariando os respectivos poderes políticos, juntaram-se em redor da mesma mesa, num repasto, quiçá ¨ satânico ¨, mandando um recado aos homens ¨ poderosos ¨, que o afeto tende a superar qualquer adversidade.
Tive a oportunidade de escrever, numa das muitas crónicas de que era autor para um jornal português, durante alguns anos, que deixei mãe branca a chorar, quando fui empurrado para uma guerra colonial – Guiné Bissau, e que fui encontrar mãe negra chorando a morte de seu filho.
A dor, o sofrimento, as lágrimas de uma mãe, não tem cor, nem credo, não importa sequer de que filho estejamos a falar, nem a mãe que está chorando, apenas devemos perceber um laço, que se entrelaça, e envolve o mistério da criação, que parece não estar ao alcance da compreensão humana.
Se Deus é a força divina e o equilíbrio, então devo admitir que a Deusa mulher, contém em si mesmo, as qualidades necessárias para apaziguar a brutalidade dos homens.
Não desejo, pelo menos neste artigo, discutir como ela promove tal equilíbrio, de que instrumentos se serve, mas apenas vivenciar essa idéia de equilíbrio, de um sentido de vida, que tenta retirar do psiquismo do homem, o sentido de morte.
Se eu constatei no palco de guerra, que o afeto tende a superar qualquer tipo de animosidade, também o leitor pode aperceber-se disso, através destas pequenas atitudes, que mães e mulheres fartas de guerra, tentam preservar os seus entes queridos da morte, e da miséria.
A mulher é de fato aquela que tenta manter o equilíbrio na família.
Porém,não significa que o consiga na maioria das vezes.
Vem a isto a propósito de uma cena inusitada num palco de guerra, Israelitas / Palestinos, em que um grupo de mulheres, de um, e do outro lado do conflito, contrariando os respectivos poderes políticos, juntaram-se em redor da mesma mesa, num repasto, quiçá ¨ satânico ¨, mandando um recado aos homens ¨ poderosos ¨, que o afeto tende a superar qualquer adversidade.
Tive a oportunidade de escrever, numa das muitas crónicas de que era autor para um jornal português, durante alguns anos, que deixei mãe branca a chorar, quando fui empurrado para uma guerra colonial – Guiné Bissau, e que fui encontrar mãe negra chorando a morte de seu filho.
A dor, o sofrimento, as lágrimas de uma mãe, não tem cor, nem credo, não importa sequer de que filho estejamos a falar, nem a mãe que está chorando, apenas devemos perceber um laço, que se entrelaça, e envolve o mistério da criação, que parece não estar ao alcance da compreensão humana.
Se Deus é a força divina e o equilíbrio, então devo admitir que a Deusa mulher, contém em si mesmo, as qualidades necessárias para apaziguar a brutalidade dos homens.
Não desejo, pelo menos neste artigo, discutir como ela promove tal equilíbrio, de que instrumentos se serve, mas apenas vivenciar essa idéia de equilíbrio, de um sentido de vida, que tenta retirar do psiquismo do homem, o sentido de morte.
Se eu constatei no palco de guerra, que o afeto tende a superar qualquer tipo de animosidade, também o leitor pode aperceber-se disso, através destas pequenas atitudes, que mães e mulheres fartas de guerra, tentam preservar os seus entes queridos da morte, e da miséria.
A mulher é de fato aquela que tenta manter o equilíbrio na família.
Porém,não significa que o consiga na maioria das vezes.
Marcadores:
Psicanalise
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Ciência da motivação
Ciência da motivação
O que é isso ?
De vez em quando surgem novos posicionamentos em relação ás coisas, o que não significa necessariamente novas idéias, porque elas já existiam, mas antes uma disposição para levar á prática, o que antes estaria no fundo do baú, ou amarrado a determinadas normas.
Esquecimento ?
Não. O que se passa é que o século XXI, por diversas razões evolutivas permite a excentricidade, que não tem relação alguma com maluquice, distúrbio mental, mas com um movimento nascido no interior, que sem amarras é enviado para fora do indivíduo, em que a criatividade cada vez mais é indiferente ao julgamento.
É uma forma de autonomia, que é indiferente á crítica, e ao julgamento, quando esta está amarrada á recompensa, em que a sensação, quando ela não é conseguida, é de punição.
No mundo dos negócios é mais fácil a exteriorização da criatividade, dado que é evidente a procura de novos nichos de mercado, cuja finalidade, e visibilidade imediata, é o bem estar económico e social.
Na formação infantil tal visibilidade não é imediata, dado que ela vai dar a conhecer-se alguns anos mais tarde, pelo que existe uma dificuldade em conectar as atitudes formativas, com os resultados que cada um possa obter.
No meu blog tenho feito diversas referências aos malefícios da repressão na formação infantil, que ao contrário do que algumas pensam, ou na sua grande maioria, condicionam o movimento, e aniquilam a criatividade, conduzindo o ser humano á obsessão, ao transtorno psíquico, e a um mal estar interior.
Aliás toda a literatura Freudiana aponta nesse sentido, bem evidente em vários escritos de Freud.
Para os menos atentos direi que estes novos ¨ conceitos ¨, são emergentes do estudo da psicanálise, ou pelo menos nela se enquadram, que se distancia da psicologia tradicional, do condicionamento.
É curioso notar no entanto, que a idéia da motivação, excluindo o recurso á recompensa e á punição, começou a ganhar corpo tendo em conta o que ela mesma contesta, a recompensa por uma vida mais saudável, criativa, autónoma, com total liberdade do pensamento, em que se obtém uma gratificação interior, uma auto satisfação.
A recompensa vem de dentro, em que o sujeito dá asas á sua imaginação, em que novas associações de imagens e idèias podem surgir, conferindo ao indivíduo a total liberdade, autonomia, para criar, em que a única recompensa é a sua satisfação, e bem estar interior.
Notemos que desse modo, o ser humano sente criar algo, como valorização de si mesmo, que os outros podem aproveitar, se o desejarem.
Desta forma o ser humano consegue ser altruísta.
No mundo do marketing e do sistema financeiro, é necessário encontrar alternativas ao mercado, tantas vezes saturado por métodos tradicionais, que esgotados, já não correspondem aos anseios dos consumidores, nem ás necessidades dos empresários.
A criatividade é a resposta possível que tenta impedir a estagnação, o condicionamento, em que a diversidade é a solução, e não parte do problema.
Por diversas vezes referi quanto é prejudicial o pensamento único, o absolutismo, que conduz á uniformidade, e o sujeito ao conformismo, e por conseguinte á estagnação, que confere ao indivíduo uma sensação de impotência.
A recompensa vinda do exterior, como forma de atingir uma meta pré estabelecida, promove a ponte entre dois objetos e um objetivo, num mundo de intenções, em que o movimento é fechado, condicionado, que por isso mesmo é finito.
Qualquer movimento finito apresenta uma meta, um fim de linha, que uma vez não atingido, causa frustração, sem que exista um escape para uma atividade diferenciada.
Causou alguma indignação, quando defendi que a recompensa na formação infantil deve ser entendida como chantagem emocional, a que a criança não deve ser sujeita, e que por isso mesmo deve ser banida da sua formação, e educação escolar.
E porquê ?
Porque retira a possibilidade de uma vontade de poder interior de uma forma natural, a tentando substituir por uma reação perante uma atitude exterior, desde que exista recompensa, e deixando-se ficar aquietado, perante a visibilidade de uma punição.
A criança corre atrás da recompensa, para não ser punido nos seus desejos.
Você tem direito ao chocolate, se comer a sopa.
É segundo este aspecto da formação, que continuamos a ser influenciados pelos estudos de Pavlov, pelas experiências com macacos e ratos de laboratório, em que estamos posicionados numa psicologia animal, que não humana, nem a ela somos conduzidos através desses métodos.
O problema maior é que existem crianças, cujo instinto de negação de negação é tão evidente, exaltado, exacerbado, que se privam daquilo de que gostam, para privar o outro do seu desejo.
Percebemos claramente nesta atitude o bloqueio de qualquer movimento, tanto exterior, quanto interior, que nos faz questionar, onde se encontra a atividade dessa criança.
Mas quando isso não acontece, elas na mira de obter o chocolate, que é o seu desejo, se obrigam a fazer o que não desejam, em que a vontade do outro prevalece, em relação á sua própria vontade interior.
A ansiedade eleva-se em virtude de estar sujeito a um outro toda a sua atividade, e é esvaziada quando é realizado o seu desejo.
A ansiedade é devida ao perigo que um outro incute, que pode impedir de realizar os seus desejos, mediante exigências, que por vezes não pode cumprir, ou lhe é difícil fazê-lo.
Porque o mundo dos negócios fala mais alto, em virtude dele depender a estabilidade financeira do sujeito, que serve á sua sobrevivência, exige o imediatismo, em que as necessidades básicas não podem ser adiadas, sendo por isso, mais fácil perceber a estagnação, em que o corpo é impulsionado a inovar, a criar outras possibilidades que sirva á evolução do mercado, e a si mesmo.
No mercado as consequências são imediatas.
Na formação da criança elas são refletidas a longo prazo, permanecendo as consequências de certa forma ocultas, em que o imediatismo apresenta como finalidade, parar a agitação da criança, tentando castrar os seus instintos.
Criatividade e castração são incompatíveis.
O que é isso ?
De vez em quando surgem novos posicionamentos em relação ás coisas, o que não significa necessariamente novas idéias, porque elas já existiam, mas antes uma disposição para levar á prática, o que antes estaria no fundo do baú, ou amarrado a determinadas normas.
Esquecimento ?
Não. O que se passa é que o século XXI, por diversas razões evolutivas permite a excentricidade, que não tem relação alguma com maluquice, distúrbio mental, mas com um movimento nascido no interior, que sem amarras é enviado para fora do indivíduo, em que a criatividade cada vez mais é indiferente ao julgamento.
É uma forma de autonomia, que é indiferente á crítica, e ao julgamento, quando esta está amarrada á recompensa, em que a sensação, quando ela não é conseguida, é de punição.
No mundo dos negócios é mais fácil a exteriorização da criatividade, dado que é evidente a procura de novos nichos de mercado, cuja finalidade, e visibilidade imediata, é o bem estar económico e social.
Na formação infantil tal visibilidade não é imediata, dado que ela vai dar a conhecer-se alguns anos mais tarde, pelo que existe uma dificuldade em conectar as atitudes formativas, com os resultados que cada um possa obter.
No meu blog tenho feito diversas referências aos malefícios da repressão na formação infantil, que ao contrário do que algumas pensam, ou na sua grande maioria, condicionam o movimento, e aniquilam a criatividade, conduzindo o ser humano á obsessão, ao transtorno psíquico, e a um mal estar interior.
Aliás toda a literatura Freudiana aponta nesse sentido, bem evidente em vários escritos de Freud.
Para os menos atentos direi que estes novos ¨ conceitos ¨, são emergentes do estudo da psicanálise, ou pelo menos nela se enquadram, que se distancia da psicologia tradicional, do condicionamento.
É curioso notar no entanto, que a idéia da motivação, excluindo o recurso á recompensa e á punição, começou a ganhar corpo tendo em conta o que ela mesma contesta, a recompensa por uma vida mais saudável, criativa, autónoma, com total liberdade do pensamento, em que se obtém uma gratificação interior, uma auto satisfação.
A recompensa vem de dentro, em que o sujeito dá asas á sua imaginação, em que novas associações de imagens e idèias podem surgir, conferindo ao indivíduo a total liberdade, autonomia, para criar, em que a única recompensa é a sua satisfação, e bem estar interior.
Notemos que desse modo, o ser humano sente criar algo, como valorização de si mesmo, que os outros podem aproveitar, se o desejarem.
Desta forma o ser humano consegue ser altruísta.
No mundo do marketing e do sistema financeiro, é necessário encontrar alternativas ao mercado, tantas vezes saturado por métodos tradicionais, que esgotados, já não correspondem aos anseios dos consumidores, nem ás necessidades dos empresários.
A criatividade é a resposta possível que tenta impedir a estagnação, o condicionamento, em que a diversidade é a solução, e não parte do problema.
Por diversas vezes referi quanto é prejudicial o pensamento único, o absolutismo, que conduz á uniformidade, e o sujeito ao conformismo, e por conseguinte á estagnação, que confere ao indivíduo uma sensação de impotência.
A recompensa vinda do exterior, como forma de atingir uma meta pré estabelecida, promove a ponte entre dois objetos e um objetivo, num mundo de intenções, em que o movimento é fechado, condicionado, que por isso mesmo é finito.
Qualquer movimento finito apresenta uma meta, um fim de linha, que uma vez não atingido, causa frustração, sem que exista um escape para uma atividade diferenciada.
Causou alguma indignação, quando defendi que a recompensa na formação infantil deve ser entendida como chantagem emocional, a que a criança não deve ser sujeita, e que por isso mesmo deve ser banida da sua formação, e educação escolar.
E porquê ?
Porque retira a possibilidade de uma vontade de poder interior de uma forma natural, a tentando substituir por uma reação perante uma atitude exterior, desde que exista recompensa, e deixando-se ficar aquietado, perante a visibilidade de uma punição.
A criança corre atrás da recompensa, para não ser punido nos seus desejos.
Você tem direito ao chocolate, se comer a sopa.
É segundo este aspecto da formação, que continuamos a ser influenciados pelos estudos de Pavlov, pelas experiências com macacos e ratos de laboratório, em que estamos posicionados numa psicologia animal, que não humana, nem a ela somos conduzidos através desses métodos.
O problema maior é que existem crianças, cujo instinto de negação de negação é tão evidente, exaltado, exacerbado, que se privam daquilo de que gostam, para privar o outro do seu desejo.
Percebemos claramente nesta atitude o bloqueio de qualquer movimento, tanto exterior, quanto interior, que nos faz questionar, onde se encontra a atividade dessa criança.
Mas quando isso não acontece, elas na mira de obter o chocolate, que é o seu desejo, se obrigam a fazer o que não desejam, em que a vontade do outro prevalece, em relação á sua própria vontade interior.
A ansiedade eleva-se em virtude de estar sujeito a um outro toda a sua atividade, e é esvaziada quando é realizado o seu desejo.
A ansiedade é devida ao perigo que um outro incute, que pode impedir de realizar os seus desejos, mediante exigências, que por vezes não pode cumprir, ou lhe é difícil fazê-lo.
Porque o mundo dos negócios fala mais alto, em virtude dele depender a estabilidade financeira do sujeito, que serve á sua sobrevivência, exige o imediatismo, em que as necessidades básicas não podem ser adiadas, sendo por isso, mais fácil perceber a estagnação, em que o corpo é impulsionado a inovar, a criar outras possibilidades que sirva á evolução do mercado, e a si mesmo.
No mercado as consequências são imediatas.
Na formação da criança elas são refletidas a longo prazo, permanecendo as consequências de certa forma ocultas, em que o imediatismo apresenta como finalidade, parar a agitação da criança, tentando castrar os seus instintos.
Criatividade e castração são incompatíveis.
Marcadores:
Psicanalise
domingo, 5 de setembro de 2010
Homem - Que bicho é esse ?
¨ Ao se apegar e buscar insanamente toda a forma de realização material e satisfação dos desejos instintivos e carnais o homem vem rebaixando a conduta e comportamento aos mais vis ou bestas – feras dos irracionais ¨.
Retirado do blog – Metendoobico.blogspot.com – William Junior
O que fica por explicar, tentando ser prático, é como forças animalescas podem ser despertadas, incentivadas e exercitadas, sem um outro elemento que as provoque ?
Na natureza tal provocação é originada no biológico, como necessidade de caçar a presa para satisfazer o seu desejo de manter-se vivo, que por isso tem de alimentar-se.
O ser humano ultrapassa os limites da biologia, e tenta destruir o seu semelhante, em que o prazer deve ser encontrado em outro lugar qualquer, que não no elemento físico, corpo.
São as formas de interagir na relação, que influenciam , e podem exaltar as forças instintivas, e não porque elas existam, e que por isso devam ser castradas.
Ademais, parece existir uma contradição para aqueles que evocam Deus, dado que o homem tenta castrar o que lhe foi dado pelo o poder criador divino, não se apercebendo que está a reconhecer nessa sua atitude, a imperfeição de quem ter o poder de criar.
Existe um não saber em relação aos acontecimentos, aos fenómenos e suas origens, que o sujeito não deseja saber, porque lhe é difícil desviar-se de uma concepção pré estabelecida, que tende a condicionar toda a postura humana ao nível da consciência.
Por outro lado, significa, que não conseguimos enxergar o outro lado de uma história de vida, e nos excluímos da totalidade fenoménológica, impondo uma leitura parcial dos acontecimentos, em que a outra parte parece pertencer ao mundo virtual, que não real.
Não existe razão, verdade, alma e espírito, sem a existência do corpo, logo o material é a totalidade espiritual, onde se encontra alojada a alma, que após a morte do corpo, deixa o rasto da sua existência, que é transmitido através de um processo transferencial, como testemunho de passagem entre as gerações.
Através da verbalização da maioria das pessoas, nos é dado a perceber que a consciência existe e não existe, que ela está incorporada, e encontra-se fora de um corpo que pensa, mas que sente, de acordo com a idéia que cada um tem acerca do que podemos entender por consciência, desprezando o inconsciente.
Inconsciente e irracional, de acordo com o significado que lhe é conferido pela maioria das pessoas, se unem, para determinar a falta de consciência, quando na realidade o irracional não existe, e o inconsciente será apenas uma consciência profunda adquirida instalada no núcleo psíquico, que teve sua organização na infância.
A idéia da castração é cultural, em que o sacrifício, a dor e sofrimento, apresenta como objetivo alcançar o bem, e a felicidade, coisa que cada vez mais parece fugir ao ser humano, pelo que esse caminho está condenado ao fracasso.
Mas antes de ser cultural foi uma imposição política, comandada pelos homens da Igreja, que já exerceram o poder público em tempos mais distantes da nossa história, para fazer dos homens servos do reino, que não de Deus.
Dessa herança ainda a humanidade não se livrou, em que tenta-se confundir a obediência ás leis de Deus, com a subjugação a formas hierárquicas que escravizam o ser humano, atentando contra a sua liberdade e dignidade.
O que resulta, são ressentimentos, como formas reativas a um tratamento animalesco, que apresenta vários de graus de intensidade, que não pode ser mensurável, culminando tantas vezes em autênticas barbáries.
É por intermédio de um outro que as forças animalescas tendem a revelar-se, através de um processo de exaltação, desafiador, violador do corpo e de seus instintos, acerca do qual o corpo toma sentido, vulgo consciência, e não por qualquer outro motivo.
Retirado do blog – Metendoobico.blogspot.com – William Junior
O que fica por explicar, tentando ser prático, é como forças animalescas podem ser despertadas, incentivadas e exercitadas, sem um outro elemento que as provoque ?
Na natureza tal provocação é originada no biológico, como necessidade de caçar a presa para satisfazer o seu desejo de manter-se vivo, que por isso tem de alimentar-se.
O ser humano ultrapassa os limites da biologia, e tenta destruir o seu semelhante, em que o prazer deve ser encontrado em outro lugar qualquer, que não no elemento físico, corpo.
São as formas de interagir na relação, que influenciam , e podem exaltar as forças instintivas, e não porque elas existam, e que por isso devam ser castradas.
Ademais, parece existir uma contradição para aqueles que evocam Deus, dado que o homem tenta castrar o que lhe foi dado pelo o poder criador divino, não se apercebendo que está a reconhecer nessa sua atitude, a imperfeição de quem ter o poder de criar.
Existe um não saber em relação aos acontecimentos, aos fenómenos e suas origens, que o sujeito não deseja saber, porque lhe é difícil desviar-se de uma concepção pré estabelecida, que tende a condicionar toda a postura humana ao nível da consciência.
Por outro lado, significa, que não conseguimos enxergar o outro lado de uma história de vida, e nos excluímos da totalidade fenoménológica, impondo uma leitura parcial dos acontecimentos, em que a outra parte parece pertencer ao mundo virtual, que não real.
Não existe razão, verdade, alma e espírito, sem a existência do corpo, logo o material é a totalidade espiritual, onde se encontra alojada a alma, que após a morte do corpo, deixa o rasto da sua existência, que é transmitido através de um processo transferencial, como testemunho de passagem entre as gerações.
Através da verbalização da maioria das pessoas, nos é dado a perceber que a consciência existe e não existe, que ela está incorporada, e encontra-se fora de um corpo que pensa, mas que sente, de acordo com a idéia que cada um tem acerca do que podemos entender por consciência, desprezando o inconsciente.
Inconsciente e irracional, de acordo com o significado que lhe é conferido pela maioria das pessoas, se unem, para determinar a falta de consciência, quando na realidade o irracional não existe, e o inconsciente será apenas uma consciência profunda adquirida instalada no núcleo psíquico, que teve sua organização na infância.
A idéia da castração é cultural, em que o sacrifício, a dor e sofrimento, apresenta como objetivo alcançar o bem, e a felicidade, coisa que cada vez mais parece fugir ao ser humano, pelo que esse caminho está condenado ao fracasso.
Mas antes de ser cultural foi uma imposição política, comandada pelos homens da Igreja, que já exerceram o poder público em tempos mais distantes da nossa história, para fazer dos homens servos do reino, que não de Deus.
Dessa herança ainda a humanidade não se livrou, em que tenta-se confundir a obediência ás leis de Deus, com a subjugação a formas hierárquicas que escravizam o ser humano, atentando contra a sua liberdade e dignidade.
O que resulta, são ressentimentos, como formas reativas a um tratamento animalesco, que apresenta vários de graus de intensidade, que não pode ser mensurável, culminando tantas vezes em autênticas barbáries.
É por intermédio de um outro que as forças animalescas tendem a revelar-se, através de um processo de exaltação, desafiador, violador do corpo e de seus instintos, acerca do qual o corpo toma sentido, vulgo consciência, e não por qualquer outro motivo.
Marcadores:
Psicanalise
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Perdas
O medo que possa acontecer algo de ruim, ou apenas a visibilidade de que tal venha a acontecer, assaltado por essa imagem, mostra ao sujeito um cenário de horror, de dor e sofrimento, que pode provocar a paralisia momentânea de um movimento desejado.
Desejo interrompido, ou até mesmo bloqueado por um não desejo de perder o conforto, a proteção, e a segurança.
O que subsiste é o medo de perder, e se assim é, existiu um ganho anterior de sentimentos prazerosos, sem que o indivíduo tivesse adquirido a noção, que a qualquer momento os seus desejos podem sair frustrados.
A frustração faz parte da experiência de vida, como resultante de algo esgotado, que não deu certo, ou que não pode ser associado por ser incompatível, em que a dor e sofrimento tende a emergir, proveniente de uma certa forma de sentir as relações com os objetos, e o mundo exterior.
Devemos perceber tal fenómeno levando em conta a relação com o outro, e os efeitos provocados pela sua ausência, que tantas vezes cria a impossibilidade de sentir a satisfação interior, em que percebemos a incapacidade de estar sozinho.
A sensação de conforto, proteção e segurança, parece depender da presença de um outro objeto, sentindo-se o indivíduo desprotegido quando entregue a si mesmo.
O medo da solidão, de encontrar-se com a noite, de estar sozinho no escuro, de não ter o outro que possa abraçar e adormecer, como se estivesse nos braços da mãe, parece ser um sinal evidente de uma interioridade, que se encontra ameaçada por fantasmas.
Na realidade fantasmas não existem, o que tende a prevalecer é a imagem de um outro, que nunca concedeu a liberdade ao indivíduo para encontrar-se consigo mesmo, estar sozinho, ser autónomo, e ganhar experiência.
Criada a dependência, a falta de um outro, que não existiu na infância, entendido como facilitador de experiências, faz com que o sujeito reclame por ele.
Façamos a pergunta:
- Como alguém pode encontrar-se consigo mesmo, se nunca o deixaram liberto ?
Desejo interrompido, ou até mesmo bloqueado por um não desejo de perder o conforto, a proteção, e a segurança.
O que subsiste é o medo de perder, e se assim é, existiu um ganho anterior de sentimentos prazerosos, sem que o indivíduo tivesse adquirido a noção, que a qualquer momento os seus desejos podem sair frustrados.
A frustração faz parte da experiência de vida, como resultante de algo esgotado, que não deu certo, ou que não pode ser associado por ser incompatível, em que a dor e sofrimento tende a emergir, proveniente de uma certa forma de sentir as relações com os objetos, e o mundo exterior.
Devemos perceber tal fenómeno levando em conta a relação com o outro, e os efeitos provocados pela sua ausência, que tantas vezes cria a impossibilidade de sentir a satisfação interior, em que percebemos a incapacidade de estar sozinho.
A sensação de conforto, proteção e segurança, parece depender da presença de um outro objeto, sentindo-se o indivíduo desprotegido quando entregue a si mesmo.
O medo da solidão, de encontrar-se com a noite, de estar sozinho no escuro, de não ter o outro que possa abraçar e adormecer, como se estivesse nos braços da mãe, parece ser um sinal evidente de uma interioridade, que se encontra ameaçada por fantasmas.
Na realidade fantasmas não existem, o que tende a prevalecer é a imagem de um outro, que nunca concedeu a liberdade ao indivíduo para encontrar-se consigo mesmo, estar sozinho, ser autónomo, e ganhar experiência.
Criada a dependência, a falta de um outro, que não existiu na infância, entendido como facilitador de experiências, faz com que o sujeito reclame por ele.
Façamos a pergunta:
- Como alguém pode encontrar-se consigo mesmo, se nunca o deixaram liberto ?
Marcadores:
Psicanálise
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O general
Poucos conseguem ser amados pela ostentação das estrelas que trazem ao peito, quando existe a necessidade de trazer sempre á mão, um bengalim, nome dado a uma vara rígida de couro entrançado, daquelas usadas em cavalaria, cuja finalidade é açoitar os cavalos para que sejam obedecidos, como símbolo de um poder, que lhes parece fugir a qualquer momento.
Hoje a varinha mágica, foi substituída pela língua afiada, que sem ninguém lhes perguntar nada, despejam nas palavras toda a sua violência, que é provocada pelo o mesmo vírus de onipotência, e de um saber ignorante, que pensa através de um outro, por incapacidade de pensar por si mesmo.
General e governador dos tempos da guerra colonial portuguesa em África, substituto do general demissionário, fez-se presente ás tropas sitiadas na mata, julgando tratar-se de animais, que não de pessoas, tende a exercer a repressão por intermédio de um outro, neste caso Estado, que por falta de alternativas deixava o sangue escorrer pela entranhas da carne alheia.
Brancos, negros e mestiços, foram as suas vítimas, que sem dó nem piedade, os empurravam para uma guerra que não desejavam, em nome de uma soberania, de uma santa ignorância, que nem as estrelas conseguiam ocultar.
Repetidores de desejos alheios, puros imitadores, dizendo ser adultos, não deixaram de ser crianças, que tomam para si as dores de um estadista, de um filósofo, ou da polícia política, não conseguem escapar ao persecutório, vasculhando a vida alheia, transformando a verdade em mentira, recorrendo ao velho, e ultrapassado método da tortura, e da censura, cujo único objetivo é a evidencia do recalque.
Evocam frases célebres, como se fosse a letra de uma música universal, que apresenta um só sentido, que é sempre exibida, mesmo fora do contexto, que tem em vista perpetuar a todo o custo o poder.
É o saber de um outro, que ao ser evocado, lhe confere o saber, como uma verdade absoluta incorporada, por incapacidade de pensar por si mesmo, não percebendo que é escravo de um pensamento, e modo de estar na vida, que se fez corpo, no seu próprio corpo.
É o perfeito incesto mental, que a maioria por medo da punição não ousa sequer afrontar, o que aliás estaria condenado ao fracasso, dada a diferença de potencial das forças em presença, e que seria também pouco inteligente persistir nessa luta insana.
A suposta ação revolucionária não seria mais, que uma reação a um poder instituído, sendo um fenómeno dado á relação do senhor e do escravo, gerador de ressentimentos, em que a inteligência humana fica completamente subjugada aos instinto do animal, que existe na interioridade de cada um de nós.
Aqueles que falam em humanismo tentando subjugar os outros á sua vontade de poder, vulgarmente designada por verdade, baralham as palavras, e as idéias aos mais desatentos.
Desafiam o saber, através do brilho de suas estrelas, passam o lustre a todo o instante, as colocam num lugar bem visível, cuja intenção é serem observadas, para vir á lembrança a punição, fazendo dos homens mudos e dependentes, os acorrentando ás grades de uma prisão mental.
É o cardápio de quem não tem mais nada para oferecer aos outros, e a si mesmo
O caminho da liberdade não é feito de atalhos, pelo o contrário é um penoso caminho, por isso os perversos, manipuladores, e aqueles que julgam ter poder, o preferem, basta para tanto encostarem-se ao poder instituído, e deixarem levar-se pelos ventos de ocasião.
Os becos mais escuros incomoda o ser humano, as trevas sempre incomoda quem não consegue enxergar a luz, porque iluminados por outros, na escuridão perdem a noção do espaço, e de si mesmo, em que o medo os imobiliza, a que só a virulência das palavras, que não a violência física, pode garantir uma sensação de poder, e de sentido de vida, muito embora falsa.
Limpar o terreno das minas inimigas, pode garantir a caminhada, contudo passa a ser o jogo do gato e do rato, em que se retiram umas, e são colocadas outras, nessa luta infernal pelo o território, que é uma característica animal, que não abona em nada a inteligência superior humana.
A escolha para quem deseja caminhar em liberdade, é por um terreno limpo, onde não exista aquele que deseja a guerra, nem o outro que a possa alimentar.
Quem é eeeesse ?
Perguntou o general, fazendo movimentos nervosos e insistentes com sua varinha mágica, apontando na direção de um africano, que se encontrava a meu lado, em que era bem evidente na manifestação de sua postura o desprezo por tal criatura.. .
Existia uma tentativa de manipulação velada, e desafiadora na forma como fez a pergunta, não por aquilo que disse, mas por aquilo que não disse, e deu a entender por gestos, e o prolongar da interrogação.
Convidou-me desse modo a entrar na (des) humanidade de seus preconceitos, convicto da sua superioridade racial, que também existe entre brancos, desta feita chamada de classe social, que uma vez despido de sua farda e despojada das estrelas, talvez encontrássemos a criança aterrorizada, por não estar coberta pela manta do poder, que lhe confere uma sensação de segurança.
Não sei se teria razão alguma para proceder assim, quais as suas idéias acerca das coisas e do mundo, nem sequer nisso estaria interessado, apenas as palavras ¨ malditas ¨ cheirando a desprezo despertaram a minha atenção.
Eeeesse, meu general, é um soldado das milícias africanas
Apontei eu com o dedo, repetindo o mesmo gesto, que fizera antes com a varinha mágica, dirigindo-se a um outro seu semelhante, mas o sentindo como inferior.
O general percebeu muito bem meu gesto, o poder pode ser burro, mas não é estúpido, espreitando sempre uma palavra mais hostil, ou entendida como tal, para cair em cima de sua vítima.
Desejava que lhe desse a prova porque ali se encontrava aquela criatura, como se fosse intruso, ou uma alma estranha, como coisa / objeto, que estaria a mais naquele cenário.
Por falta da prova os homens mataram Cristo, o chamando de impostor, dado que não exibiu o diploma divino, ignorando se na realidade ele existia, ou se era investido de uma graça espiritual, assim os ignorantes o mataram, e fizeram dele uma figura sagrada.
Com sua atitude colheram o fruto não desejado, que até hoje perdura, e já lã vão mais de dois mil anos, em que o sacrifício fez dele um ser humano respeitado.
Perante a dúvida de ser ou não ser, nada melhor que acabar com a sua raça, antes que possa provar que é detentor de mais saber, muito embora não possa exibir as estrelas, e a dita varinha mágica.
Desde aqueles tempos mais longínquos, não obstante s criação do perfume francês, do terno italiano, da publicidade, do computador e da internet, que transmite uma sensação de conforto, e de mais saber, as relações humanas ficaram estagnadas no primitivo, devido a um psiquismo atrofiado, proveniente de idealismos, que provocam a obsessão mental, e as constantes guerras.
Só que as estrelas também brilham nos olhos de todos aqueles que sentem a ofensa, em que o desafeto, ao contrário do que julgam alguns sábios ilustres que sobem ao palanque, possui o condão de unir os homens á volta da fogueira, procurando o calor que os possa manter vivos.
Existem os homens que procuram o afeto entre os ofendidos, afetados que foram, tal como eles, na alma por outros seres humanos, que inexoravelmente derrotam os fortes, mesmo que os julguem fracos.
Cristo morreu sozinho, não quis a parceria dos fracos, nem dos fortes, seguindo seu próprio destino, como ser autónomo, não evocou na hora de sua morte o diploma divino, que o pudesse salvar da aflição, emergindo da agonia, as seguintes palavras :
- Perdoai-lhes Senhor, que não sabem o que fazem.
Não rogou pragas, não insultou, não foi virulento, nem evocou a sua condição de filho do mais alto poder, que lhe fora conferido, nem lamentou a sua sorte, porque sabia bem do que era capaz o ser humano, devido a seus ressentimentos.
De então para cá, pouco ou nada mudou.
O africano referenciado anteriormente estava a aprender os primeiros socorros, que lhe permitisse em caso de emergência acorrer a um companheiro ferido.
No mini hospital de campanha instalado numa tabanca feita de barro amassado com palha e telhado de chapa de zinco no meio da mata africana, existia um esforço de poupar vidas das garras da morte, que se fazia anunciar todos os dias ao cair da noite, ou nas sucessivas caminhadas cortando o capim.
Uns, através das palavras e de suas atitudes, estão possuídos pelo o poder divino, ou demoníaco da destruição, por julgarem ser Deus, tentam obrigar os outros a enxergar, o que só eles parecem ver, outros tentam apaziguar a dor e sofrimento alheio, através do seu conhecimento, em que existe a partilha do saber.
Se a indignação tomasse conta daquele ser humano africano, e alguma palavra fosse ouvida, que pudesse ser entendida como afronta, era certo e sabido, que teria de pagar pela ousadia de sua rebeldia.
Mas não, manteve-se sereno, tranquilo, sem proferir palavra alguma.
Não consegui ler seu pensamento, porque isso nos é vedado, e ainda bem, dado que o simples desejo para alguns, já é transgressão, o que levaria decerto a uma repressão mais violenta e constante.
Informei o General do porquê da sua presença.
Não satisfeito, perguntou pela capacidade de aprendizagem daquela figura estranha, e de bom porte físico, fardado a rigor.
Ele já sabe dar injeções ?
Já sim senhor, meu general.
Perguntas burras, de quem julga o outro burro, que tende a encobrir o complexo de superioridade, que no fim de contas, só um ser humano, que sente ser inferior pode possuir.
O general também fora traído por ressentimentos.
Finalmente, olhando nos meus olhos, perguntou:
E você, como está ?
Meu general, estou farto disto.
Num repente, e em silêncio, sem pronunciar uma palavra, deu meia volta, e saiu pela porta dos fundos tomando o rumo do hélio estacionado para o conduzir de novo ao gabinete do ar condicionado, dos seus aposentos em Bissau.
Passados alguns meses a guerra acabou, através de um movimento ¨ revolucionário das forças armadas no dia 25 de Abril de 1974.
Tínhamos acabado de sucumbir vergados ao peso das nossas ambições de poder, corroídos por dentro por um mal estar interior, que se tornou insustentável.
Nenhum de nós resiste ao peso da nossa própria ignorância.
Hoje a varinha mágica, foi substituída pela língua afiada, que sem ninguém lhes perguntar nada, despejam nas palavras toda a sua violência, que é provocada pelo o mesmo vírus de onipotência, e de um saber ignorante, que pensa através de um outro, por incapacidade de pensar por si mesmo.
General e governador dos tempos da guerra colonial portuguesa em África, substituto do general demissionário, fez-se presente ás tropas sitiadas na mata, julgando tratar-se de animais, que não de pessoas, tende a exercer a repressão por intermédio de um outro, neste caso Estado, que por falta de alternativas deixava o sangue escorrer pela entranhas da carne alheia.
Brancos, negros e mestiços, foram as suas vítimas, que sem dó nem piedade, os empurravam para uma guerra que não desejavam, em nome de uma soberania, de uma santa ignorância, que nem as estrelas conseguiam ocultar.
Repetidores de desejos alheios, puros imitadores, dizendo ser adultos, não deixaram de ser crianças, que tomam para si as dores de um estadista, de um filósofo, ou da polícia política, não conseguem escapar ao persecutório, vasculhando a vida alheia, transformando a verdade em mentira, recorrendo ao velho, e ultrapassado método da tortura, e da censura, cujo único objetivo é a evidencia do recalque.
Evocam frases célebres, como se fosse a letra de uma música universal, que apresenta um só sentido, que é sempre exibida, mesmo fora do contexto, que tem em vista perpetuar a todo o custo o poder.
É o saber de um outro, que ao ser evocado, lhe confere o saber, como uma verdade absoluta incorporada, por incapacidade de pensar por si mesmo, não percebendo que é escravo de um pensamento, e modo de estar na vida, que se fez corpo, no seu próprio corpo.
É o perfeito incesto mental, que a maioria por medo da punição não ousa sequer afrontar, o que aliás estaria condenado ao fracasso, dada a diferença de potencial das forças em presença, e que seria também pouco inteligente persistir nessa luta insana.
A suposta ação revolucionária não seria mais, que uma reação a um poder instituído, sendo um fenómeno dado á relação do senhor e do escravo, gerador de ressentimentos, em que a inteligência humana fica completamente subjugada aos instinto do animal, que existe na interioridade de cada um de nós.
Aqueles que falam em humanismo tentando subjugar os outros á sua vontade de poder, vulgarmente designada por verdade, baralham as palavras, e as idéias aos mais desatentos.
Desafiam o saber, através do brilho de suas estrelas, passam o lustre a todo o instante, as colocam num lugar bem visível, cuja intenção é serem observadas, para vir á lembrança a punição, fazendo dos homens mudos e dependentes, os acorrentando ás grades de uma prisão mental.
É o cardápio de quem não tem mais nada para oferecer aos outros, e a si mesmo
O caminho da liberdade não é feito de atalhos, pelo o contrário é um penoso caminho, por isso os perversos, manipuladores, e aqueles que julgam ter poder, o preferem, basta para tanto encostarem-se ao poder instituído, e deixarem levar-se pelos ventos de ocasião.
Os becos mais escuros incomoda o ser humano, as trevas sempre incomoda quem não consegue enxergar a luz, porque iluminados por outros, na escuridão perdem a noção do espaço, e de si mesmo, em que o medo os imobiliza, a que só a virulência das palavras, que não a violência física, pode garantir uma sensação de poder, e de sentido de vida, muito embora falsa.
Limpar o terreno das minas inimigas, pode garantir a caminhada, contudo passa a ser o jogo do gato e do rato, em que se retiram umas, e são colocadas outras, nessa luta infernal pelo o território, que é uma característica animal, que não abona em nada a inteligência superior humana.
A escolha para quem deseja caminhar em liberdade, é por um terreno limpo, onde não exista aquele que deseja a guerra, nem o outro que a possa alimentar.
Quem é eeeesse ?
Perguntou o general, fazendo movimentos nervosos e insistentes com sua varinha mágica, apontando na direção de um africano, que se encontrava a meu lado, em que era bem evidente na manifestação de sua postura o desprezo por tal criatura.. .
Existia uma tentativa de manipulação velada, e desafiadora na forma como fez a pergunta, não por aquilo que disse, mas por aquilo que não disse, e deu a entender por gestos, e o prolongar da interrogação.
Convidou-me desse modo a entrar na (des) humanidade de seus preconceitos, convicto da sua superioridade racial, que também existe entre brancos, desta feita chamada de classe social, que uma vez despido de sua farda e despojada das estrelas, talvez encontrássemos a criança aterrorizada, por não estar coberta pela manta do poder, que lhe confere uma sensação de segurança.
Não sei se teria razão alguma para proceder assim, quais as suas idéias acerca das coisas e do mundo, nem sequer nisso estaria interessado, apenas as palavras ¨ malditas ¨ cheirando a desprezo despertaram a minha atenção.
Eeeesse, meu general, é um soldado das milícias africanas
Apontei eu com o dedo, repetindo o mesmo gesto, que fizera antes com a varinha mágica, dirigindo-se a um outro seu semelhante, mas o sentindo como inferior.
O general percebeu muito bem meu gesto, o poder pode ser burro, mas não é estúpido, espreitando sempre uma palavra mais hostil, ou entendida como tal, para cair em cima de sua vítima.
Desejava que lhe desse a prova porque ali se encontrava aquela criatura, como se fosse intruso, ou uma alma estranha, como coisa / objeto, que estaria a mais naquele cenário.
Por falta da prova os homens mataram Cristo, o chamando de impostor, dado que não exibiu o diploma divino, ignorando se na realidade ele existia, ou se era investido de uma graça espiritual, assim os ignorantes o mataram, e fizeram dele uma figura sagrada.
Com sua atitude colheram o fruto não desejado, que até hoje perdura, e já lã vão mais de dois mil anos, em que o sacrifício fez dele um ser humano respeitado.
Perante a dúvida de ser ou não ser, nada melhor que acabar com a sua raça, antes que possa provar que é detentor de mais saber, muito embora não possa exibir as estrelas, e a dita varinha mágica.
Desde aqueles tempos mais longínquos, não obstante s criação do perfume francês, do terno italiano, da publicidade, do computador e da internet, que transmite uma sensação de conforto, e de mais saber, as relações humanas ficaram estagnadas no primitivo, devido a um psiquismo atrofiado, proveniente de idealismos, que provocam a obsessão mental, e as constantes guerras.
Só que as estrelas também brilham nos olhos de todos aqueles que sentem a ofensa, em que o desafeto, ao contrário do que julgam alguns sábios ilustres que sobem ao palanque, possui o condão de unir os homens á volta da fogueira, procurando o calor que os possa manter vivos.
Existem os homens que procuram o afeto entre os ofendidos, afetados que foram, tal como eles, na alma por outros seres humanos, que inexoravelmente derrotam os fortes, mesmo que os julguem fracos.
Cristo morreu sozinho, não quis a parceria dos fracos, nem dos fortes, seguindo seu próprio destino, como ser autónomo, não evocou na hora de sua morte o diploma divino, que o pudesse salvar da aflição, emergindo da agonia, as seguintes palavras :
- Perdoai-lhes Senhor, que não sabem o que fazem.
Não rogou pragas, não insultou, não foi virulento, nem evocou a sua condição de filho do mais alto poder, que lhe fora conferido, nem lamentou a sua sorte, porque sabia bem do que era capaz o ser humano, devido a seus ressentimentos.
De então para cá, pouco ou nada mudou.
O africano referenciado anteriormente estava a aprender os primeiros socorros, que lhe permitisse em caso de emergência acorrer a um companheiro ferido.
No mini hospital de campanha instalado numa tabanca feita de barro amassado com palha e telhado de chapa de zinco no meio da mata africana, existia um esforço de poupar vidas das garras da morte, que se fazia anunciar todos os dias ao cair da noite, ou nas sucessivas caminhadas cortando o capim.
Uns, através das palavras e de suas atitudes, estão possuídos pelo o poder divino, ou demoníaco da destruição, por julgarem ser Deus, tentam obrigar os outros a enxergar, o que só eles parecem ver, outros tentam apaziguar a dor e sofrimento alheio, através do seu conhecimento, em que existe a partilha do saber.
Se a indignação tomasse conta daquele ser humano africano, e alguma palavra fosse ouvida, que pudesse ser entendida como afronta, era certo e sabido, que teria de pagar pela ousadia de sua rebeldia.
Mas não, manteve-se sereno, tranquilo, sem proferir palavra alguma.
Não consegui ler seu pensamento, porque isso nos é vedado, e ainda bem, dado que o simples desejo para alguns, já é transgressão, o que levaria decerto a uma repressão mais violenta e constante.
Informei o General do porquê da sua presença.
Não satisfeito, perguntou pela capacidade de aprendizagem daquela figura estranha, e de bom porte físico, fardado a rigor.
Ele já sabe dar injeções ?
Já sim senhor, meu general.
Perguntas burras, de quem julga o outro burro, que tende a encobrir o complexo de superioridade, que no fim de contas, só um ser humano, que sente ser inferior pode possuir.
O general também fora traído por ressentimentos.
Finalmente, olhando nos meus olhos, perguntou:
E você, como está ?
Meu general, estou farto disto.
Num repente, e em silêncio, sem pronunciar uma palavra, deu meia volta, e saiu pela porta dos fundos tomando o rumo do hélio estacionado para o conduzir de novo ao gabinete do ar condicionado, dos seus aposentos em Bissau.
Passados alguns meses a guerra acabou, através de um movimento ¨ revolucionário das forças armadas no dia 25 de Abril de 1974.
Tínhamos acabado de sucumbir vergados ao peso das nossas ambições de poder, corroídos por dentro por um mal estar interior, que se tornou insustentável.
Nenhum de nós resiste ao peso da nossa própria ignorância.
Marcadores:
Testemunhos de guerra
Assinar:
Postagens (Atom)
